14.8.09

Zuleica Maria era infeliz

Feia como que um absurdo, Zuleica Maria explodia palavrões pra fora. Eram impropérios que fugiam, escoavam, escorriam por descaber de dentro da boca. Como que juiza-Deus do que era feio ou belo se danava a recorrer explicações diversas pra afirmar, com a popular ciência de falar mal de algo para se fazer de entendido, que Juju Morazinho nem tinha tamanha belezura como que o digníssimo quero-quero pedro martins.

E enchia o ar com qualquer raivocidade que conseguia tirar de dentro do seu peito enquanto todos aqueles ouvidos vizinhos, já aborrecidos com tantas formas diferentes de se falar a mesma coisa, tentavam captar qualquer outro ruído que fosse.

Tarefa mais impossível não havia e isso era tão fato que nem cabia em jornal de tão pouca importância que tinha.

Era fato, mas não era fatídico.

Fato também era que Zuleica Maria não era cabível em muitas coisas. Além de feia e mal educada. Ela guardava duas coincidências com a família dos suínos. Fazia pouco caso de sabonetes, perfumes, pastas de dentes e afins, e tinha um corpo que só por ser metido a besta chamarei de king sized.

Como que agradescendo pelo possível fato de não ter espelho em casa. Zuleica Maria só fazia esquentar as orelhas da feliz Juju Morazinho. Por mais que a desprovida de qualquer beleza esbravejasse, gritasse, se indignasse Juju Morazinho e pedro martins ficavam cada vez mais felizes com o casório que ia chegando.

Zuleica Maria tinha aprendido há muito tempo a desdenhar do sorriso alheio. Descobriu nessa arte uma maneira de substituir o gosto de vitória que nunca tinha conhecido. Não era como que quisesse Pedro Martins para si mesma. Sabia que não o teria, a pobre nunca tinha feito do coração de outrem presa.

A infeliz não o queria pra ninguém.

No fundo, como qualquer pessoa comum, ela também queria um tantinho só que fosse de poesia na sua vida, mas Zuleica Maria não era religiosa o suficiente pra acreditar no que não pudesse ver.



Essa é meu segundo texto com uma Maria como personagem. Já escrevi sobre a Maria que não era nem feia e nem bonita e agora escrevo sobre a Maria feia. Me empolguei em escrever também futuramente sobre uma Maria bonita. Quem sabe assim fecho a trilogia das Marias.
=)

Pra quem quiser conhecer a outra Maria:
http://empirismoemprosa.blogspot.com/2007/03/ana-maria-da-costa-da-silva.html

6 comentários:

Rebeca dos Anjos disse...

Excelente!!!!!

E apoio a trilogia, mocinho!

A nem feia nem bonita, deu virada na vida.
A Zuleica, coitada, fez da carne o cômodo sujo do espírito.
Vou ficar esperando a Maria do Céu, com olhos que irradiam. =)

Beeeijo!

clarice ge disse...

Pobre Zuleica Maria feia por dentro e por fora. Fiquei pensando se a feiura exterior influencia a feiura interior.
Muito bom o 'raciocínio' deste texto. Vou buscar o outro sobre a Maria que não era... a Maria ninguém?
Carinhos pra ti

myra disse...

nao sei quem é voce mas agradeço de todo coraçao, as tuas palavras no blog que escrevi para o meu irmao...que infelizmente acaba de morRer...um abraço muito triste, myrA

Renata Braga disse...

Adoro teu jeito de escrever.Encantador.


E gostei desse lance de trilogia das Marias.

faça!

Bejo

vonomatopeia disse...

Quero logo ler a outra Maria :)

fabiano Silmes disse...

Bruno eu vou ficar aguardando a outra Maria...Pois está me deu até medo rs.

Abração