30.6.13

Por todo tempo

Os poucos andares eram suficientes para dar aquele prédio o seu valor. Era percebido por ser a maior construção no começo daquela movimentada rua. Logo depois, o supermercado com seus produtos de primeira, segunda e nenhuma utilidade, era lugar comum ao observador quando precisava saciar as necessidades das quais derivava.

Paralelo a linha das construções acontecia o movimento incessante de carros que um atrás do outro cuspiam barulho para todos os lados a todo instante durante o dia inteiro.

Era entre os carros, supermercado e prédio de poucos andares que se escondia. Era uma casa simples naquele ambiente de construções respeitadas. Tinha paredes pintadas de verde e detalhes, portas e janelas de branco. Os tons eram tão claros que denunciavam a impossibilidade daquela moradia coexistir de frente a um ambiente com o tanto de gás sujo que se desprendia dos constantes automotores.

Eras possível que aquela casa sempre estivera ali?

O trajeto era comum ao observador, mas aquele detalhe não. A paisagem tão habitual ganhava um elemento totalmente novo. Como era possível ter deixado passar despercebido aquele oásis no meio daquela ordem tão caótica?

E mais absurdo ainda, como não ter notado algo que julgava tão bonito por tanto tempo?

Pensou pouco.


Colocou a culpa no barulho dos carros, na importância do supermercado e no valor do prédio, seguiu em frente repetindo pra si mesmo: aquela construção nunca estivera ali. Era quase uma oração.

2 comentários:

Rebeca dos Anjos disse...

Que lindo! Lindo este estado de oração, lindo olhar além do que se vê.

Beijo grande.

Margarida Rodrigues disse...

Aprecio bastante o seu blog e os seus posts. Sempre que posso tenho visitado o mesmo e delicio-me com o que escreve. Até coloquei na barra de favoritos :)

Espero que continue com o bom trabalho.

Cumprimentos

Margarida Fonseca Dias

www.fichiers-de-france.com