2.3.07

Ana Maria da Costa da Silva

Seu nome era Ana Maria da Costa da Silva. Era daquelas que passava em ambiente qualquer sem fazer diferença nenhuma. Se chegava é porque já estava há muito tempo. Não usava roupa curta, brinco grande ou batom colorido.

Não era bonita, nem feia. Não chamava atenção, desprezo ou mesmo fofoca de vizinha invejosa. Poderíamos chegar ao ponto de questionar sua existência não fossem a sua mãe, seu pai, seu irmão e sua tia exaltando as qualidades que a menina tinha. Era boa cozinheira, faxineira, lavadeira, levava bicho pra passear. Era daquelas que se dizia: "Nunca fez mal a ninguém".

Ana Maria da Costa da Silva era tudo que se esperava que fosse, se alguém perdesse tempo pra pensar nela. Não era de muitas palavras. Não falava muito sem pensar antes, e se pensava demais acabava por achar melhor não falar. Ia casar com João Luiz Souza Santos apenas por que sua mãe disse que era bom partido, moço trabalhador, com emprego no Banco na cidade. Já tinha até carro.

,mas foi um dia. Um dia qualquer desses que acontece em todo lugar. Foi quando Ana Maria da Costa da Silva cismou por querer: olhou, quis e fez:

foi um rebuliço só que nem te conto: a menina ficou rebelde e ninguém sabia como, sua mãe querendo saber quem tinha influenciado, e seu pai bradando que nunca tinha dado coça, mas que sempre tinha primeira vez

João Luiz Souza Santos disse que não iria casar com moça que fosse errada, que era pra ela tirar a tatuagem se quisesse bom futuro com ele. Não tirou. Não tinha nem passado um mês e o rapaz já tinha pedido compromisso sério com uma outra Maria qualquer que não iria entrar pra essa história.

Agora Ana Maria da Costa da Silva era motivo, Ela passava e todo mundo notava, as vizinhas invejosas não tinham outro nome pra falar, na igreja todo mundo olhava pra trás e dava risinho, sua mãe, seu pai, seu irmão e sua tia não tinham nem mais vontade de sair de casa tamanho o caso que se gerou em torno da ovelha negra da família...

Diz por aí que foi embora, que não aguentou mais ser da mãe, do pai, do irmão, da tia, da Costa e da Silva sem ser dela mesma. Um amigo meu, se você não sabe, me contou que a encontrou por aí. Falou que está morando sozinha, e trabalhando pra custeio próprio.

Perguntei pra ele se viu a tatuagem.

Me disse meio que rindo e meio sem entender nada que na tatuagem estava escrito "EU",

7 comentários:

Rebeca dos Anjos disse...

Então esse moço de cabeça grande que tem se demorado a escrever, fez splaft no meu entendimento. Fez prosa boa e corrida com idéias de grandeza quase do tamanho da cabeça.

Vc é genial e ponto

Te amo.

mariacolorida disse...

putz!

ludmilesca disse...

Ainda que Ana Maria ainda descubra muitos eus nessa vida, ela tatuou a liberdade.

ariadne disse...

A Ana maria parece ter alguma coisa da Rosa , de O Besouro e a Rosa. Tempão sem aparecer aqui, Empírico, agora visitarei a Rebeca.

até.

Vortex Project disse...

Mandado!!

"Não falava muito sem pensar antes, e se pensava demais acabava por achar melhor não falar"

sem desmerecer o todo, mas gostei muito desta parte!

Abs
to0t41

.:Carol*:. disse...

Lindo..
Adorei..
Não conhecia este lado seu..
Parabéns..]
beijos da estrella

Jéssica Mouzinho disse...

Bela vida aos contistas!

Gostei muito, bacana demais seu conto!