13.12.05

O outro de picareta

A pessoa chorava por dentro objetos que não poderiam ser vistos. Era pior essa coisa de chorar pra dentro, era dentro dos ossos que as lágrimas escorriam e o sal presente naquela aguinha de olhos só fazia sentir dor no sangue...

Como era trabalhoso esses assuntos de criar muros.
E a pessoa se fechava em cubos de gelo... Não era como qualquer prisão aquela... O outro podia ver.

Mas era díficil ajudar uma pessoa no cubo de gelo, picaretas a faziam machucar...

E o outro, como sendo bruto usava a ferramenta maldita...

Burro era o outro, era só ficar sentado a vista da pessoa. Tentando aquecer aquela caixinha que pulsava.

E talvez o gelo derretesse...

Mas não adianta gritar. Pessoas dentro de gelos não podem ouvir...

(agora peça desculpa, seu outro!)

5 comentários:

Olhos Clínicos disse...

Chorei com isso...
Inspirado, lindo!

Às vezes a vida nos faz agir como "outro", mas sabe-se que será sempre "o". A sensiblidade não é para todos os dias, né?
Cada um com seu sofrimento e participa quem pode e quer. Não dá pra estar junto sempre de todas as pessoas. Pode ser que a crise seja individual.

Lindo mesmo esse texto, relido mais umas três vezes.
Amo Você!!!!

Marcelo Soli disse...

e as vezes é muito frio....tudo parece congelar...mas sempre há uma lareira confortante e quentinha por perto...

Cirineu disse...

Bruno, você tem um estilo totalmente distinto e acredito, original.
Espero que continue sempre nos agraciando com a sua companhia entre Os Malditos.

Pedro disse...

Você não tem idéia do quanto isso tem a ver comigo, nesse momento.

Pedro disse...

PS.: Li o texto e comentei jurando que tava lendo o blog de um outro amigo. Mas de toda forma, seu texto me atingiu muito profundamente, de uma maneira que eu ainda não sou capaz de entender por completo.