24.6.05

A respeito de Deus Parte inteligível

Me lembro de um professor que falava em tom jocoso sobre os rumos da crença em Deus nos dias atuais. Ele críticava o fato de hoje cada um ter seu Deus pessoal, a religião não dizia mais que era a Entidade Suprema, era cada indíviduo. Aquilo batia direto com algo que eu acreditava, eu também tinha meu Deus pessoal, e aquilo me incomodava um pouco. A verdade é que a engrenagem de sociedade nos individualiza tanto nos dias atuais que criamos cada um de nós príncipios éticos diferentes, e um Deus só não consegue dar conta dessa multiplicidades de pessoas que querem dar um sentido, e uma justificativa, para suas vidas.
Este empiríco acreditava(e ainda gosta de acreditar) que se existisse mesmo um Deus, ele não seria esse Gugu Liberato que as pessoas acreditavam Ele ser. Deus não estaria no "Acredite que você ganha", ele estaria em uma força que cada indíviduo pudesse receber na situação que estivesse, por pior que fosse, que o diria: "Você aguenta, tente. Pode dar errado, mas viva". Só assim na limitada visão desse empiríco Deus estaria realmente para todos.
Um filósofo disse uma vez(acho que foi Spinoza, mas posso estar errado) que se Deus existisse ele estaria muito acima de nossa compreensão. Isso é algo em que acredito, se existe mesmo algo sobre nossas cabeças, uma cabeça que planejou tudo isso, e que participa do jogo de uma forma contínua, Alguém que esta em todos os lugares, e não é passado, presente ou futuro -esse é o Deus cristão é claro, mas existem exemplos inteligíveis em outras crenças, só não conheço-as bm para colocar como exemplo- então esse Alguém esta acima de nossa percepção. E como esta empiríco conciente disso poderia achar que sua experiência limitada como ser humano sujeito a uma percepção errada da vida fosse mesmo dar conta desse Deus.
Como esse ser minúsculo poderia olhar cara a cara com esse Super Indíviduo que projetou desde o nada até o tudo e dizer para ele o que era certo ou errado?
O empiríco prefere reconhecer a sua ignorância de Deus a reconhecer esse a enlata-Lo...

2 comentários:

Anankê disse...

Bom o seu texto. Bom mesmo. Como a própria razão rege a busca por deus (veja Kant), então somos muito engajados nessa luta e nos é difícil escapar dela. Buscamos um deus, um princípio, uma explicação. (a esta altura você já deve saber quem eu sou). Mas se confiamos na razão ao fazer isso, estamos fadados ao fracasso. Ainda não há princípio, não há justiça que trascenda a vida. Enfim, não há Deus que a razão possa ver. A razão trabalha com os universais, por isso não atura o "eu acredito"; somente a razão concebe o "existe". Compreende? Então o seu deus estaria muito pequeno, apesar de belo. E muito belo. (seria a beleza um outro deus, uma outra busca?). Principalmente porque o seu deus, como tu mesmo o dissestes, é alguém. Esse alguém fala. Todos falam. Isso é óbvio, né... É preciso ter cuidado com os "alguéns". Preferiria "algo" para designar deus (mas não vejo deus ainda). Porque alguém é mais do que algo. Alguém impõe mais consequências no seu deus. Disseste que reconheces tua ignorância quanto a deus. É um erro. Tu não a reconheces, ainda. Tu dizes muito de deus. A razão (conhecimento) são olhos. Alguns balbuciam algo sobre "não poder dizer nada sobre o que não se conhece". Mas muitos ainda andam no escuro. Agora eu pergunto, senhor empírico: tu és racional? tu vagueias no escuro? (hehehe... e sabe quem sou eu?)

O empírico disse...

(ouvindo trilha sonora de Castlevania)

Ora, meu amigo de tramas furtivas, concordoque exista um caminho não racional que leve a Deus, alias acho esse caminho extremamente belo e poético. Porém no momento em que me encontro na vida seguir essa trilha não seria verdade para minha pessoa. Eu até poderia mentir pra mim, mas acho que se existe mesmo alguma coisa sobre nossa cabeças tais subterfúgios não seriam nada para ele...

Enfim se alguma coisa existe espero encontrar...