24.7.09

Sobre si mesmo

O homem criou casas em volta de si,
O homem vestiu roupas em seu corpo,

O homem olhou para aquilo e não dizia nada sobre si mesmo.

O homem abriu o corpo com bisturi,
O homem descreveu os seus sonhos,
O homem foi para bem longe,

E mesmo assim não fazia a mínima idéia do que poderia ser.

O homem então criou nomes para que pudesse ser chamado de tudo aquilo que não era.
E desistiu de si mesmo.

A história sobre esse texto é estranha. Fui começar a ler Coraline e peguei no sono. Tive um sonho em que procurava algo ou alguém sem ter certeza se inventava ou lia aquilo que acontecia e nesse ponto percebi que não importava se estava inventando ou lendo, a história estava acontecendo. Depois fui sendo perseguido por uma criatura com botões no lugar de olhos e acordei de um susto.

Esse texto apareceu na minha cabeça assim que despertei, provavelmente por ter sido tocado por um trecho do livro onde Coraline e o gato debatem sobre a importância de nomes. Fiquei meio que estático enquanto não registrei isso aqui...

19.7.09

Sistematizando

- Pois então, acho que no mínimo tem que ser uma pessoa extraordinária, sabe? Não quero alguém do senso comum. Uma pessoa com opiniões simples pro que todo mundo acha complicado e que venha com um conjunto de meia dúzia de conclusões loucas pro que todo mundo acha normal, do dia a dia... Tem que ser alguém que me inspire e com quem eu possa ter as conversas mais loucas. Alguém que eu sinta necessidade de ficar conversando horas a fio e que não venha com aquela de "Sobre isso não se fala". Quero vê-la depilando a perna e até cagando, apenas por que aquilo é real. Quero alguém que seja de verdade, mas que não precise provar a sua realidade.
Por que, como o senhor deve saber, o real não é o mediocre.
Ah, também tem que ter sincronia no beijo. Sabe como é, tem que rolar carne na parada. O senhor sabe o que é sincronia no beijo?
Ah, lembrei... Também tem que rolar cumplicidade, por que a cumplicidade...

- Rapaz, o programa tem as suas regras e seu tempo será limitado. Tenho certeza que você pode entender isso

-hmmm, então eu posso dizer...

-Responda apenas: "Procuro alguém que seja sincera, carinhosa e que goste das mesmas coisas que eu."

22.5.09

Aquilo tudo cinza antes do acontecer

Momento cinza: soma de pequenos instantes não passiveis de medida que precendem o movimento on do on/off do computador. E era. Existia O olhar que refletia, julgava, apontava naquela monotonia que era o não acontecer.

E sabia, intuia, conhecia, embora evitava, que cinza também era o pensamento do momento cinza.

Não acontecia
existia?

Turn on: luzes, sons, símbolos e o raio que o parta de tudo que não era, mas por fim era, o despertavam da crédula, consciente e cruel mediocridade que se insinuava sobre si em pantera sensual, piranha e marginal e agressiva e filha da puta.

Era e não era diante daquilo tudo que não é, tem luz e se crê.

ícone+clique(um só, é um Mac)+programa=música, estranho, por vezes a solução de toda uma vida era a canção certa,

Sabia de photoshop e de Coreldraw e desenhou portinhola. Arremessou cadeira de rodinhas e foi com os pés pra lá.

Foi morar na canção e nunca mais foi visto por aqui.

Epílogo: obviamente perdeu a recisão contratual e seu fundo de garantia ficou retido na Caixa Econômica Federal.

Aconteceu
E foda-se por isso!

17.5.09

sol e lua

- Como podes, astro, me alumiar tanto se só me sabes de muito longe?

- É porque te invento.

11.5.09

Os quatros pretendentes da plebéiazinha

Era uma vez uma plebéiazinha*. Um dia muito aborrecida em casa pediu que seu pai assentisse que fosse passear pra longe. O pai que amava muito a sua filha permitiu que ela fosse desde que não passasse da floresta.

A plebéiazinha foi então. No caminho encontrou um princepezinho muito formoso com quem no seu caminho trocou olhares.

Ele não parou,
ela se apaixonou.

Como que era plebéiazinha desandou em chorar e um beija-flor, que na verdade era fada, vendo aquilo tratou de consolar a pobrezinha.

"Menina, não chores. Na quarta vez que ver a pessoa que ama, casarás.
Mas haverá de aproveitar esse tempo, pois que viverá apenas mais um ano depois do acontecimento."

A plebéiazinha não se importou com o pouco tempo e ficou feliz a imaginar o matrimonio.

Eis que o tempo passa e nada do princepezinho aparecer novamente e assim não tardou muito para que a plebéiazinha se sentisse aborrecida mais uma vez. Foi ter com o pai e pediu que a deixasse passear mais longe. O pai, mesmo preocupado com a filha indo tão longe, consentiu que ela fosse desde que não passasse do rio.

A plebéiazinha foi então. No caminho encontrou um poeta cheio de palavras que pediu que se casassem. Ela disse que não, pois esperava que outro viesse e o triste poeta foi-se embora com tristes palavras.

Passado mais algum tempo e a plebéiazinha ficava mais uma vez aborrecida, pois o princepezinho ainda não havia aparecido. Foi ter com o pai mais uma vez procurar conselhos sobre lugares que ainda não havia conhecido. O pai falou que era pra ir se quisesse, mas que achava melhor que não passasse das montanhas.

A plebéiazinha foi então. No caminho encontrou um filósofo cheio de razões que pediu que casassem. Como da outra vez ela respondeu que não, pois esperava que outro viesse e o filósofo foi-se tentando com suas tristes razões entender o triste acontecimento.

Como que não era mais novidade a plebéiazinha ficou mais uma vez aborrecida. Dessa vez não falou com o pai e disse que casaria com o primeiro que passasse o caminho.

A plebéiazinha passou das montanhas dessa vez e cruzando no caminho com um plebeu logo o pediu em casamento. Ele surpreso com o sucedido respondeu da seguinte forma.

"Ó, que acontece mesmo o esperado, pois que nos tempos de minha infância a vi passar no meio de meu caminho e me apaixonei. Na época, mesmo com todo tempo do mundo fiquei sem palavras e com medo preferi seguir meu caminho.

Depois sentei em cima de uma pedra e comecei a chorar, pois achei que nada mais tinha no mundo que pudesse querer. Um beija-flor se comoveu comigo e disse-me que era pra ter paciência, pois seria a dama que viria me pedir em casamento.

Mais tarde, ainda moço, quando me sobravam palavras e me faltavam razões, nossos destinos se cruzaram mais uma vez. Me enchi de coragem, me esvaziei de paciência e pedi sua mão e uma vez você recusou

Depois de algum tempo, quando eu tinha as razões e as palavras certas, por acaso nos encontramos de novo, vendo que a senhora não vinha me oferecer aliança ou coisa que o valha, perdi a paciência e pela segunda vez você recusou meu pedido.

Pois agora vejo que o beija-flor era sábio e não sei se fico feliz ou triste com o sucedido, pois que agora na minha velhice não tenho mais nada pra oferecer a senhora tão formosa."

A plebéiazinha ficou tão feliz com aquilo que sempre foi seu sonho a se realizar que aquele um ano durou mais que sua vida inteira, mais que o sempre. E nunca faltaram palavras, razões ou qualquer tudo para justificar tanta felicidade.

Isso meio que surgiu de minha mente e eu, assaltado, tive apenas o trabalho e a obrigação de registrar. Surgiu influenciado diretamente pelo livro Contos Populares Portugueses que venho lendo.

*Não sei se essa é a grafia certa para "plebéiazinha", mas acontece que gostei de escrever dessa forma e assim ficou.

9.5.09

Gosto de olhar pros meus pés 
lembro que sou responsável por onde chego  

Gosto de olhar pro céu 
descubro até onde minha vista alcança.

26.4.09

Beatriz da Fonte Seca Só

Essa é a história de Beatriz da Fonte Seca e de Carlos Barcas, ou é a história Só da Beatriz da Fonte Seca, já que de Carlos mesmo, o Físico, tem muito pouco. Por outro lado, penso que talvez seja complicado chamar essa história de Só da Beatriz da Fonte Seca, já que a pobrezinha não tinha controle nenhum sobre a forma como os acontecimentos se desenrolavam.

Foi assim que sucedeu.

Beatriz da Fonte Seca Só acontecia quando via Carlos Barcas Físico. As palavras de um eram como que cartas que encontravam destinatário certo no outro. A menina ia somando infinito com infinito e via, sem muito esforço, que se colocasse Beatriz da Fonte Seca com Carlos Barcas em fogo brando juntos em uma panela grande, iria ter um lauto banquete que orgulharia só pelo cheiro. Só.

Acontece que se na conta que tinha feito tinha o infinito, o número de vezes que Beatriz da Fonte Seca e que o Carlos Barcas Físico se encontravam era bem finito. O reduzido era de só umas duas ou três vezes. Só.

Mas Beatriz Só era uma mulher de dotes. Era mesmo, pois além de cozinheira de mão cheia sabia bordar como ninguém. Esses dotes ela não fazia quando era obrigação, só gostava mesmo quando estava inspirada. Só.

Só Beatriz bordava igrejinha em cima de colina tão bonita, o dia tinha sol e núvem, e os convidados ficavam todos dentro do templo que apesar de pequeno dava pra uma infinidade de gente. Tanto era que as mães perdiam suas cabeças enquanto brigavam com as crianças para que ficassem sentadas nos bancos enquanto esperassem. Beatriz ficava do lado de fora, esperando Carlos Imaterial chegar, Só.

Só Beatriz bordava casa com parede pintada de branco com tanto esmero. Tinha grama e cachorro, e as crianças corriam de um lado pro outro dentro da casa arrumada. Era uma gritaria só. Beatriz e Carlos cismaram, na doideira mesmo que é a vida, de terem cinco filhos. Quem disse que era fácil aquela história de procurar aquela criançada toda pra dar banho ou colocar dentro de ônibus escolar? Quando finalmente se conseguia arrumar quatro, uma sumia. Quando achava uma, todas as outras estavam correndo em desalinho. Beatriz esperava na cozinha, Carlos Imaterial chegar do trabalho, Só.

E aquela história que não era da Beatriz de verdade, já tinha tantos bordados que a Beatriz Só percebia que nem lembrava mais do Carlos Barcas Físico. Pois que tinha acontecido a tantos bordados atrás, que ela procurava em vão pelo Carlos Original apenas tentando lembrar do que se tratava aquele monte todo de pano. E foi que Só se encontrou. Só.

Demorou um tanto até que a Beatriz da Fonte Seca encontrasse qualquer Carlos bordado em qualquer canto. Sim, ele estava lá, mas não era em qualquer lugar. Beatriz Só o tinha bordado no lado esquerdo do peito. Aquilo era Físico sim, mas não era Carlos.

Era Beatriz, Só.

25.4.09

Olhos com desejo de céu

Meio que repentinamente me olha e pergunta: "Mas o que é que faz o avião voar?"

Foi em um daqueles momentos em que você definitivamente não esta preparado pra uma pergunta profunda desse âmbito. A van que me levava ao destino carioca trilhava seu caminho sobre a ponte enquanto aquele rosto definitivamente com traços nordestinos se fazia do meu rosto alvo.

Os olhos eram de um azul celeste que contrastava em absoluto com sua pele bronzeada, talvez pra refletir o desejo de céu que tinha dentro de si.

E eu, no momento, preocupado com o trânsito e desprovido momentaneamente de qualquer tipo de sensibilidade dei uma resposta qualquer tentando inocentemente apagar o ânimo do rapaz: "As asas?"

Fez uma cara de humildade, com uma pitada de desaprovação e muito de desapontamento. Aquela não era a resposta certa.

"São as turbinas, né? Queria trabalhar com isso. Essa ciência de avião." Dizia com um sorriso infantil bobo, que o ser humano de sexo masculino nunca perde por inteiro.

Voltou a olhar maravilhado pra aquelas turbinas, asas e toneladas que deslizavam com tanta leveza sobre o nada.

"Rapaz, você me deixa no JB?"

22.4.09

Passou

E quando me dei conta vi que a vida era um mundão de coisa pra se fazer que nem dava.

Foi ai que inventei um monte de fórmula com matemática nenhuma pra calcular o que queria e o que não queria fazer.

Ainda nem dava.

Decidi então ser sujeito com pressa de vida, pois que pra quem espera a vida acontecer a vida não acontece.

Passa.

21.4.09

irônia

-ei, tio!
-Estou ocupado e com pressa.
-tô com fome, tio!
-Ih, menino. Tô sem dinheiro nenhum.
-ô, tio dá uma ajuda ai, pô!
-Tenho umas moedas aqui. Toma e me deixa em paz...
-preciso de moeda não, tio. tem nenhuma educação no bolso pra mim não?
-Como é que é?

16.4.09

Acontece de ser verdade

Acontece de ser verdade. É sempre assim.
Foi que hoje é dia diferente.

Aconteceu quando os olhos de descaso, daqueles que se vê tudo menos o que está na frente do rosto, que passarinho passou na frente e despertou o rapaz do transe. Olhou meio que espantado com aquela sensação de lembrança adormecida, os olhos miravam o indicador dormente. 

Acontece que lá nos idos da sua mocidade colocou laço no dedo. Não lembrou o porquê daquilo na hora, mas que aquela sensação fazia bem, ah, isso fazia.

Meio que veio coragem sabe se lá Deus d'onde e o rapaz DECIDIU os sorrisos de seu dia.

Olhou pras caixas cinzentas de janelas que o apertavam no meio, e DECIDIU apontar pro céu.
Era nuvem bonita, sol que brilha, alto de árvore e folha caindo.

DECIDIU que o vento sorria no seu rosto e choveu
DECIDIU que se parasse ficaria mais limpo.

DECIDIU não ouvir pra todos aqueles poetas que arremessavam palavras que não acreditavam.
DECIDIU que essas pessoas eram tristes nem se entendiam direito.
DECIDIU não pensar naquilo.

E, no meio daquilo tudo, com o dedo em riste pra si mesmo, lembrou.

Lembrou daquela criança ruiva de cabelos encaracolados que corria e ralava os joelhos. Que chorava por que tinha medo de crescer e chorou também.

A criança falou: "Moço, você é grande. É feio chorar. Brinca comigo um pouquinho?" 
Ele brincou. 
Ele viu. 
A criança era maior que tudo que ele era ou tinha feito, era ela que guiava seus passos de adulto por aqueles caminhos de asfalto e setas que não apontam pra lugar nenhum.

E foi no meio daquela brincadeira infantil que brotou em seu pensador: A criança não tinha medo de crescer, não que ela soubesse disso na época, colocou o laço pra ele pudesse entender aquilo com olhos de adulto: "Tens o compromisso de lembrar tudo aquilo tu és."

Mais de vinte anos os separavam e mesmo assim DECIDIU agradecer o moleque que nunca largou da sua mão, e sorriram um pro outro.

Tudo iria ficar bem.

13.4.09

Dói

DOEU., E quando foi DOR, os olhinhos apertaram cismando em mastigar tudo quanto era luz em volta.

DOR quando é DOR mesmo faz isso.

fernanda quando DOIA, preferia fechar os olhos e contar até 10.

PATRÍCIA apagava todas as luzes de casa.
PATRÍCIA não morava sozinha.

7.4.09

Boys don't cry

Quando em míudo era de um chororô danado. Até que um dia mamãe repreendeu com aqueles olhos severos, que até hoje só não me castigam melhor do que eu mesmo: "Menino-rapaz, pois não sabe que é muito feio homem ficar chorando? Então aprende a guardar e não fazer em qualquer lugar."

Foi naquele dia que aprendi a ser forte.

Algum tempo depois que nem consigo mais calcular com cabeça de adulto, vi meu pai chorando a primeira vez. A visão daquele homem que sempre foi o meu exemplo de poder e virilidade em um estado tão frágil me causou um impacto que não sei explicar direito até hoje. Havia alguma coisa errada ali, aquilo não era certo. Arregalei os olhos, como acho que sei fazer até hoje, e fiquei assustado e talvez, confesso, um pouco admirado.

Meu pai já tinha aprendido a ser forte e chorava escondido.

16.3.09

eis o problema de enxergar com canto de olho...

canto de olho faz asa parecer corcunda

mas se canto de olho confunde

olho inteiro machuca

30.1.09

Robores

-mas num eh "robos" qui se diz?
-I eu qui sei? nunca vi dois junto.
-Já viu um só? O.o
-Tamem naum.


...


-Axu qui vai xuvê...
-Pruquê se tá dizeno issu?

-Segundo CARVALHO,

(...)"
encontrando formas de decifrar as ocorrências do meio ambiente através do saber tradicional, observando fenômenos e classificando-os fazendo do “saber selvagem” a porta de entrada das necessidades de viver harmoniosamente com o ecossistema. Neste contexto o sertanejo busca proteção até na religiosidade, na fé, haja vista, Ter como um bom inverno a possibilidade de chover no dia 19 de março – dia de São José. O que fica claro é que as conseqüências trazidas pela seca, faz o sertanejo sair em busca de um leitura dos fenômenos que a natureza proporciona, e com toda sua sabedoria tentar tirar proveito da melhor maneira possível."

-Em http://74.125.47.132/search?q=cache:UL-i-YpmL3UJ:www.nutseca.ufrn.br/AS%2520PREVIS%25D5ES%2520DE%2520CHUVA.doc+Conhecimento+popular+chuva&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=2, acessado em janeiro de 2009


27.10.08

Menos que trinta

,olhando pro monte de verões daquilo que não é mais, me impressiono. E ao chavão "meus pais estavam certos" digo nem tanto, pois que talvez eu não seja de experiência tanta quanto acredite, admito, mas acho mesmo, acredito, que tenho onde estacionar confiança em lugar onde não compartilhe teto.

Resgato da caixa que faz pensar um monte de coisa que julgo acerto, e um monte de coisa que adivinho erro. Mas meio que acredito e meio que dúvido que as coisas tendem a se corrigirem quando sabemos ou procuramos andar por onde acreditamos saber onde se pisa.

Espero.

Nem tanto no entanto nem quer dizer que tanto seja pouco. Pois que lembro algo que minha mãe acertou, considero, quando disse uma vez que o tomate podre cheira mais que o resto dos tomates.

Pois que olho pra minha cesta, e aperto os frutos quando algo cheira mal. Jogo tudo aquilo que identifico podre fora e separo aquilo que desconfio que pode apodrecer. ,às vezes acho que nem deveria trocar o cesto, e que deveria mesmo era jogar em lixeira qualquer tudo que desconfiasse podre, mas a vida é tanto de tudo que tenho medo de aproveitar menos que um terço, e gostaria, juro, de pelo menos colher alguns tomates que eu mesmo tenha plantado,

,por vezes colho,

20.10.08

O eterno normal em andar de bicicletas...

Escolho começar pelo depois no intuito de fazer diferença nesse mundo de bicicletas azuis. As bicicletas que quando antes eram vermelhas, quando antes verdes. Mas todas das mesmas cores.

Distantes não enxergo pernas pedalando. Não existem as pernas, só existem olhos e dedos indicadores. Os olhos olham pras bicicletas à direita, os indicadores indicam o seu lado esquerdo, e ninguém sabe pra onde está indo.

Eu também não faço idéia pra onde estou indo, vez ou outra pego minha bicicleta e ando no mesmo caminho. Vez ou outra tento forçar passagem pros lados... Forço uma corzinha diferente no guidão e tiro as rodas da minha bicicleta.

As pernas ainda estão em baixo de mim, mas elas estão em cima de um lugar diferente no mundo.

Vou empurrando disfarçadamente o normal pro lado de lá, quero andar com a bicicleta nas costas...

E tento, juro que tento, continuar andando olhando sempre pra frente.

23.9.08

Construindo pontos finais.

.Hoje começo escrevendo por ponto final. pois que percebo que quando escrito está. fica. e se apagado é. será lembrado. Decidido está. porque escrito foi. Ficou. colou. e agora acabou por não ter mais volta.

Foi que alguém inventou essa coisa de escrever. Acho que incomodou essa história de deixar as coisas lá atrás. Quando fizeram nem podiam ter noção. se você escrevia. colocava pra fora o que era só seu. perdia em suporte um pedacinho daquilo que tinha dentro de si. outros chamavam escolher.

Mas na minha opinião. Nem todo mundo concorda. Por que você faria. Espaço em branco é pra ser preenchido. Pode ser com caneta. com bits. ou com esquerda. ou direita. E depois de escrito. não sei se você concorda. perde um pouquinho de seu sentido. Lá atrás ficou. procure outra brancura pra preencher.

Depois de feito. pronto. Da próxima vez você faz diferente.
Ou pode até fazer igual. Só não esqueça que com três pontos juntos você faz coisa diferente...

Foi que alguém inventou essa coisa de escrever. eu acho que foi Deus,

14.9.08

um título qualquer

,sou um sujeito estranho que gosto de começar as coisas pelo meio, Meto uma vírgula no frente das coisas, invento um título qualquer pra dar cara de começo, e saio da cama com os dois pés juntos pra não dar margem ao azar, Tropeço vez ou outra um monte de vezes, e me coloco nesse risco riscando o rosto com um sorriso,

Minha testa tem alguns riscos em função disso,

,que venham mais alguns,

,acontece que sujeito de certezas grita incertezas sem ponto de interrogação, É estranho, mas é assim, Pois meio que tento modificar paisagens pintando as coisas com os olhos e fico com cara bovina ao ver certo virando errado, errado virando certo, e certo virando errado de novo,

,mas é assim porque começa com vírgula, e se você acha que tava entendendo é porque não leu direito,

,desse jeito acho que o melhor é preencher essa vida com um monte de vírgulas, porque assim empurro o ponto final pra bem longe daqui,

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10.9.08

O povo nas, bolhas, (epifania)

Não é possível calcular o ínicio, pois que aconteceu há tanto tempo e tão de dentro que não tem quem testemunhe. A falta de lembranças me faz crer ter começado em tempos de cabeças curtas. Acho então que começou quando era míudo.

Acho que não fiz sozinho, mas não tem como fazer isso sem ter escolhido. Talvez tenha sido em anjo que aconteceu, não sei. O que é de verdade? Estou em uma, bolha, já faz muito tempo. Se me colocaram lá, teve alguma hora em que tive que aceitar.

Com o tempo percebe-se não ser exclusividade sua, existem outros poucos. Alguns acham que as, bolhas, servem para proteger, mas, bolha, quando é, bolha, estoura fácil. A, bolha, serve pra separar, a, bolha, serve pra expor que somos diferentes.

Alguns não percebem as, bolhas, em volta de si mesmos. Os com olhos mais precisos percebem que os outros sempre estão do lado de fora, são as pessoas sem, bolhas,. Elas falam como que personagens de histórias em quadrinhos, tudo que é dito está escrito em, balões, distantes e limitados pelo pequeno quadrado daquele instante.

Somos diferentes daqueles porque as, bolhas, não deixam o que falemos fugir pra muito longe. Está tudo tão perto que por vezes ecoa em nossos ouvidos.

Algumas pessoas criam a, bolha, mais velhos que eu,
outras muitas as estouram para se misturar
poucas fazem a, bolha, crescer de novo


Eu as entendo, é díficil ter seu reflexo sobre tudo que se enxerga.

6.9.08

Pés no mundo

Imagem: Modèle Rouge, Magritte.


Quem não tira os pés de cima do mundo não chega a lugar nenhum. Fica naquela de colado e como que acostumado com o que vê, sempre acaba por não ver mais nada.

Eu que sou sujeito de pensamento longe, penso pra lá de distante disso.
Tiro meu sapatos, pra não ter peso nenhum nos pés, e corro descalço por aí...

Às vezes passo por relva e às vezes por pedregulho. Olho pro pé cheio de calo e unha encravada e meio que sinto vergonha e meio que sinto orgulho.

Quem não tira os pés de cima do mundo não chega a lugar nenhum. Escolhe conhecer um tudo que é menos menor que o resto.

26.8.08

Grande?

Era família grande. Mas era um tipo de família que só era grande porque podia pagar pelo adjetivo. Era um povo endinheirado que não gostava de nada míudo. Se perguntassem como uma família sem tio ou primo pode ser grande explicavam com toda pompa possível que era porque tinham uma longa história. Mas nesse caso longa história quer dizer que se pagou muito bem pra que alguém escrevesse em livro de capa dura um monte de causos de tempo que nem se tinha tanta certeza assim.

Mas de grande mesmo essa família não tinha nada. Gente rica não é muito boa com dividir as coisas. Essas famílias, que tem primo escapando pelo ladrão e com história tão antiga, que vira até mentira, só gente pobre mesmo tem.

Mas não é esse tipo de registro que se faz aqui... Essa é uma daquelas histórias que ficam nas entrelinhas, que a família grande em questão até pagaria pra apagar.

A família Franco Assis Albuquerque Luxemburgo, que de grande só tinha mesmo o nome, era cheia da grana, mas tanta grana que quando um menino se dizia homem, segundo suas tradições, podia escolher o qualquer coisa que quisesse ser.

Essa é a história de Pedro Franco Assis Albuquerque Luxemburgo.

Seu bisavô, Herculano Franco Assis Albuquerque Luxemburgo, aos doze anos já tinha decidido: "Quando crescer quero ser rico". Aos quinze com todas as letras, seu avô, João Franco Assis Albuquerque Luxemburgo, dissera: "Quero ser rico." E aos dezoito, seu pai, José Franco Assis Albuquerque Luxemburgo, gritara em plena festa de aniversário, enquanto contava qualquer das vantagens que só dizer o nome de família o dava: "RICO!!!!"

Era uma tradição de orgulho essa, e foi com muita apreensão que a família Franco Assis Albuquerque Luxemburgo esperava.

Doze anos, e Pedro Franco Assis Albuquerque Luxemburgo não fazia idéia do que seria;
Aos quinze não tinha muita certeza;
E a aos dezoito estava confuso.

Quando completou vinte anos, seus pais começaram a ficar preocupados, e acharam por bem pressionar o moço. Ele estranhou, -"Se era pra escolher qualquer coisa pra ser não seria melhor pensar bastante?" Explicaram que estavam só preocupados, que queriam o que fosse melhor pra ele, e que, afinal de contas, era pra decidir logo... (Como assim?)

De qualquer forma Pedro Franco Assis Albuquerque Luxemburgo perguntou se podia ser pássaro. Os pais estranharam pensando que o menino tinha ficado lelé da cuca e rapidamente criaram regras para o "que quisesse": "Quando dizemos, meu filho: Você pode ser o que quiser estamos falando de um trabalho, menino."

Pedro Assis Albuquerque estranhou, mas respondeu logo: "Então já sei!"
"Eu quero limpar janelas!"

Aquilo era esquisito por demais e a família, que de grande tinha a mãe, o pai e o avô doente com mais dois meses de vida, era só revolta. "Como assim limpador de janela?, porque filho meu não limpa nada!, como é que vou falar pras minhas amigas?, podia morrer sem esse desgosto!"

O menino explicou que achava bonito as coisas ficarem limpas e que nada o agradava mais que ver o pessoal da limpeza escolher pano, e sabão com todo cuidado... As janelas nunca ficariam sujas e um monte de gente poderia enxergar por elas, pois havai toda uma coisa bonita quando se olhava por um vidro sem mancha nenhuma.

Alguém pensou em dizer que era pro menino dizer "rico" logo e acabar com aquela palhaçada, mas perceberam, meio sem graça, que estavam muito ocupados e que aquilo poderia ser deixado pra depois.

Fato é que dois meses depois a família grande ficou só com duas pessoas. O avô falecera sozinho em um dia que os pais do rapaz estavam em viagem e Pedro Franco Assis Albuquerque Luxemburgo foi fazer aquilo que deu na telha sem perguntar nada a ninguém...

Ouvi falar esses dias, em uma dessas histórias que com o passar do tempo vai virar até mentira, que seu Pedro se tornou um limpador de janela de mão cheia. Era um daqueles que ficam pendurados em prédio, sabe? E era tão bom, mas tão bom, que ninguém nunca via sujeira, nunca mesmo. Era como se o vidro nem existisse. E justamente por isso ninguém lembrava que alguém limpava aquele mundaréu de janela. Mas o que era mais verdade que aquilo tudo é que seu Pedro teve três filhos e cada um deles teve três filhos...

Aquilo sim era família grande.

22.8.08

,momento adorável de vírgulas, adorável?, confuso, ruido?,

por que as vezes começar as coisas com letra maíuscula não é sinceridade, pode mesmo ser que não haja ponto final, se bem que pode ser que na morte... , e de fato a única coisa que existe mesmo são as pontes de vírgulas, andar com pés por vezes é complicado, não sabe?, e tudo, tudo mesmo conectado, tudo?, com os próprios pés?, onde?, confuso?, Pra onde?, não tenho certeza, mas acontece, sabe?,

,não há certeza?,

15.8.08

A última palavra

Homem: Pedra, quem tu pensas ser para com gigante arrogância pousar defronte meu caminho. Achas mesmo que pode decidir o caminho que eu, homem, devo tomar?

Pedra:

Homem: Pois não ouviu falar da superioridade de nós seres pensantes e de livre arbítrio? Que poder pensas ter tu parada ai sem ao menos perceber todo esse mundo a sua volta?

Pedra:

Homem: Tu não tem poesia, matemática ou sapiência. Nem mesmo instinto para fugir caso decidisse fazer um furo no teu ventre. Eu poderia fazer isso, não sentiria remorso nenhum. Deveria fazer.

Pedra:

Homem: Eu posso, tu sabes?

Pedra:

Homem: Pedra, por que não respondes?

Pedra:

Homem: Pedra, por que não respondes?

Pedra:

Homem: Pedra?

Pedra:

Homem:

Pedra:

Pedra:

Pedra:

12.8.08

Referência

O burguesinho da classe média gostava de conversar.
Dizia ao seu companheiro: "Caro, amigo, pois aconteceu dos meus tempos de mocidade serem de tamanha preocupação. Lembro-me como se fosse hoje. Meu pai sempre me dizia a dura realidade: 'Se não passar em vestibular não vai ter oportunidade de ter ensino superior.' Lembro-me da angústia que passei naqueles tempos. Felizmente o melhor aconteceu e agora posso ter esperança em um futuro digno."

-"Tempos duros, companheiro", dizia o seu amigo, como que assentindo para que o amigo prosseguisse o que dizia.

Sabia que ele gostava de conversar.



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O mendiguinho sem nome, de classe social não percebida no Nielsen, gostava de se expressar.
Dizia ao seu companheiro: "Lembro-me da única coisa que meu pai disse que fez algum sentido na minha vida: 'Sobrevive, ou irá morrer.'"

Iria continuar dizendo: "Na época ele era muito maior que eu, mas nada que um caco de garrafa na barriga e a escuridão nos olhos não resolvam", mas seus dentes estavam ocupados demais enterrados nos tendões da perna do amigo, que tivera que matar quando percebeu estar com fome.

O amigo, obviamente, não disse nada.

9.8.08

O2

Se intitulava investigador porque queria saber daquilo tudo que não deveria. Talvez você não saiba, mas os pensamentos pulsam no cerébro como sangue no coração. Não há o que fazer além de ficar admirado e enojado com as maravilhas/armadilhas engedradas pelo corpo humano.

Mas viver é um escolher o que se pode pagar e não esquecer nunca daquilo tudo que não se pode escolher.

Chama-se aceitar.

7.8.08

Sonha criança, sonha no que não vai se realizar...

mas faz, criança. Continua e faz

Porque na vida o bonito mesmo é tentar.

2.8.08

Maturidade

Criança descobre o mundo.
[Sempre acontece isso.
E arregala os olhos.

até descobrir que azul não é vermelho é encrenca,
cheira computador e manda e-mail de sonho em refrigerante,

criança sabe nada...

Depois é que aprende que só da pra pintar em papel.
E que quem faz muito, tá fazendo pouco.

Pois que acontece.
Criança descobre o mundo.
desaprende a sorrir.

Criança descobrir o mundo é mole, mole.

Quero ver adulto descobrir ser criança,

Ás vezes eu descubro,
ás vezes deixo coberto.

28.7.08

pétalas de dentes

pois que brota Sorriso de dentes em lugar nenhum
e como flor de alfalto rachado, espera por carro passar

é teimosa, pois esmagada trata de Nascer de Novo

e de Novo
e de Novo

pois Brota de onde tem Vida,
lá de Dentro de onde se sopram Verdades

do horizonte distante,
lá de Dentro guardado
então Permanece como que dedo em nariz

Acontece no escondido,

vem do que É de Dentro,
mas não É certo donde

ossos que estalam,
fezes que Se esbarram,

neutro Se finge,
Feliz, mas cínico

Fica

é sentimento,

uma Certeza que diz
não Se foge daquilo que vem de Dentro

.

se orgulha

9.7.08

passarinho,

Se o céu vira gaiola,
passarinho tem que voar.

Voa passarinho, voa
Que em ninho você não tem que pousar...

Poleiro tão pequeninho,
o vento agora portinhola,
E olha todo esse sonho
não tem nenhum portão que vai fazer parar...

Voa passarinho, voa
Que não tem onde você não vá chegar...

Tanta estrela a sua frente,
não tem como dúvidar,

Voa passarinho, voa
Que é no alto que você vai morar.

8.3.08

Novela sonora(episódio primeiro)

Naquele apartamento havia o rapaz e um monte de caixas. no angustiante momento em que se via era obrigado a sair daquela apatia que sempre o definiu como homem de ócio. era decisão complicada aquela, porque quando por fim decidisse agir, iria assumir aquela temida posição de o homem da casa.

apesar do status de vazio já tivesse sido retirado daquela moradia desde que aquelas diversas caixas tivessem chegado ali com a mudança. esse era o sentimento que ainda passava por aquele lugar.

ficou admirando todo aquela labuta que iria ter, e para afastar a responsabilidade o rapaz meio que inconscientemente puxava um daqueles cigarros que sempre prometia a mãe que iria parar de fumar.

no começo foi para a janela e depois sentou em uma das caixas, ia sentar. quando ia encostar a bunda na caixa Ouviu,

 

Só podia ser um anjo que cantava...

11.11.07

Tá tirando onda, hein!

Amo Você, no escurinho com luz de cinema.
Amo Você, sorriso grande que só aparece quando é de verdade.
Amo Você, mente de economista medos de menina.
Amo Você, vento levando cabelo de frente ao rosto.
Amo Você, no final de semana, dormindo o tempo todo.
Amo Você, lágrimas de alegria.
Amo Você, um monte de incertezas em meus planejamentos.
Amo Você, com a "minha vida mudando a cada quinze minutos na manhã de sábado"

Amo Você com todo minha paz de espírito planejada e insistente. E amo tanto, tanto e tanto, que até pego fogo.

18.10.07

O quanto se pode saber?

É mesmo questão de cabeças grandes mesmo essas coisas de pensar.(sem piadas por favor) O fato é que parece sempre existir um monte de tudo pra aprender de qualquer pouca merda.

Qualquer cantinho da sua sala ou da sua conciência. Desde os créditos que sobem no final da projeção do seu filme favorito até o motivo que fazia Carlota Joaquina preferir roupa de baixo amarela(será que usava mesmo?). O fato é que o saber se acumula nessas cabeças grandes e cheias de certezas virando uma espécie de religião.

Um cara pra lá de bacana no meu ver foi o Sócrates. Putz, o maluco ficou um tempão observando e pensando no mundo. Devia ter a cabeça do tamanho de um ônibus. Acontece que depois de quase explodir o tutano ele chegou com a brilhante frase: "Tudo que sei é que nada sei."

!!!

Calma aí, não ria ainda. Imagina só na época. Sujeito granfino ia procurar o homem sábio na Grécia(Grécia mesmo?) e ele não respondia nada, só perguntava. Que porra é essa? Vos pergunto.

Mas pensa um pouquinho só na época. Se bem me lembro das minhas mau dadas aulas de filosofia e a pseudo-aula-livro filosófica ministrada no Mundo de Sofia, os gregos tinham acabado de deixar de acreditar em um modelo místico-religioso de verdade no mundo. Como eu costumo questionar essas coisas, acredito que na verdade só quem entrou de bonde nessa história tenham sido os "endinheirados" da época. Dúvido que servo ou escravo, ou como quer que chamavam a classe dos domindados tinha entrado nesse lance. Quase como o lance de Inclusão Digital, saca? Muita gente ainda deveria acreditar que podia responder tudo com oração, ou oferenda, oráculo ou sei lá o que.

O fato é que os ban-ban-bans da época acreditavam no poder do discurso. Como não existia um a verdade absoluta o lance era saber enrolar a língua e dar volta. Na verdade? Era um monte de advogado misturado com Zé Carioca.

Aí, chega esse sujeito. Que possivelmente gastou parte do tutano dele matutando aquilo tudo. Falou que verdade, algo universal que servia a todos existia. Só que ele não tinha descoberto...

E eu aqui fazendo pesquisa sobre montagem(ou seria edição de vídeo, um termo mais atual) cinematográfica(as vezes rola na internet) de trailers(ih, expressão estrangeira tem que ser com itálico...). E pra isso tenho que estudar até teorias de cognição e antropologias consumistas a parte...

Era sobre o que que agente tava falando mesmo?

(Só pra constar a existência de Sócrates é questionada. Alguns estudiosos desse tão muito que se tem pra se saber afirmam que ele poderia ter sido uma criação de Platão)

Todas as informações contidas aqui não tem embasamento científico nenhum. Muitas possívelmente estão erradas e sendo assim não servirão para conclusão nenhuma. Alias nem pense em usar isso em algum trabalho sem ser vítima de riso.

2.10.07

Projetos arquitetônicos inflamáveis

Um rapaz jovem atropelou uma criança pra atender celular,
O menino perdeu uma perna pra convencer os amigos que sabia nadar,
O senhor colocou fogo na casa por que não queria precisar da esposa pra cozinhar,

E naquele preciso momento fizeram todo o esforço do mundo calculando com cabeças acostumadas a sonhar maneiras que os fizessem voltar no tempo.

O rapaz jovem tentou ligar do celular pro todo poderoso,
O menino tentou nadar de costas no mesmo lugar,
E o senhor procurou um isqueiro que fosse ao contrário,

O celular não tinha crédito pra uma chamada tão distante,
E o tubarão que já tinha comido uma perna, comeu duas,

E o senhor, mais velho. Por se considerar tão sábio, chorou quando percebeu que não se fabricavam ainda isqueiros ao contrário. Ele e sua senhora tinham levado muito tempo pra prosseguir a contrução daquela casa, nem pronta ainda estava.

A sua esposa nada dizia com a boca. Mas chorava sem lágrimas e berrava com todos os outros sentidos que tivesse.

Foi uma pena pra quem visse, aquele homem com seus vários cabelos brancos chorando como um bebezão. Na verdade era até um pouco ridículo aquela prova de fraqueza. Chorava com as lágrimas que não rolavam do rosto da senhora sua esposa.

E naquele momento se espantou, a mulher chorava pra dentro e as lágrimas deslizavam pelo rosto dele. Eles iinham uma ligação do agora, ontém, amanhã e cada segundo que suplantava qualquer tijolo que estivesse fora do lugar.

O senhor percebeu que a casa estava dentro dos dois.

Pegou um dos carvões que sobrara do incêndio e desenhou uma casa. Era muito mais bonita que a de antes.

Tinha um monte de promessas que a outra não tinha. Só não era a prova de fogo.

"Quer morar aqui?"

26.9.07

Saudade grande

Saudade grande de você,
daquelas que só sente quem está muito tempo junto,

uma Saudade de verdade que conhece aquilo que se espera estar ao lado,

Saudade da cara amarrada, que eu sei fazer,
Saudade daquela risada espontânea, que aparece em qualquer momento,
Saudade daquilo que faz vulnerável que faz buscar proteção,

Saudade daquilo que sei onde está,
Saudade de nossos planos,
Saudade do que reclamo,
Saudade do que gosto,

Saudade do que sempre acontece,
Saudade de nós dois
,

17.9.07

Relógio

Quando coração é relógio, essa coisa de tempo fica meio estranha.
Imagina que marquei às uma e meia.
Cheguei com dez minutos de adiantamento.
Ela estava atrasada.

Cismou de chegar às uma e quarenta.
Na hora certa.

14.9.07

o eterno sonhar das letras mínusculas em seu coletivo constante

foi em texto que se força a brotar, coisa esquisita de letras a pulular dentro de cabeça, se forçando pela boca e saindo pelos dedos,

era um monte de letra que ia se amontoando lado a lado, com a função apenas de existir, de exigir a vida negada de uma mente distante, como que palavras para descrever o eterno estado presente de contemplação do nada,

e como que por mágica, no meio daquela confusão de sentidos brota algum objeto comum: o coletivo,

por que naquele momento sem sentido as letras,palavras,frases se dão conta de que algumas palavras insistem de se fazerem IMPORTANTES. se perceber chega a ser agressivo isso de se mostrar MELHOR.

agride mesmo

,mas o estranho é que foram necessários seis parágrafos completos para haver contexto que permitesse três das GRANDES.

façamos um sétimo com uma fonte menos serifada e com mais uma vírgula,

28.8.07

Do dia que Deus se foi

Na verdade, já tinha que ter acontecido há muito tempo mesmo. Acontece que Deus ficou puto.

,mas puto da vida.

No norte da Argentina uma mulher com medidas nem tão largas assim, olhava pra um pedaço de bolo. E dizia com a boca, pouquinho tempo depois de dizer com os olhos: "Isso não pode ser de Deus..."

E foi nesse dia que como um trovão sem proporções, ouviu-se em todos os cantos do planeta:

"FODA-SE"

Deus queria saber, onde cargas d'água inventaram de dizer que um mundo esférico pode ter canto... Por que ele não teria responsabilidade se o chocolate era gostoso ou o sexo irresístivel? Afinal, de contas quando foi que o nome de Deus não podia mais ser associado com as coisas que eram boas?

Nesse momento você deve estar pensando em díluvio, neguinho mudando de língua, nesse papo de apocalipse, né? Que nada não rolou nem um torózinho. Mas algo mudou.

Tudo que era tudo deixava de acontecer, e o agora era uma coisa tão constante quanto que se esperava que o futuro deveria ser.

De verdade? Virou tudo um saco... Faltou algo na vida que as pessoas não sabiam explicar...

Não tardou muito pro desespero tomar conta da humanidade. Afinal isso era assunto pra lá de sério. Juntaram um monte de país com nome nem tanto esquisito assim pra discutir o que fazer.

Decidiram que alguém deveria ser designado pra dar um toque no Nosso Senhor. E tinha que ser alguém importante, e de respeito. De preferência alguém que já tinha andado de avião, e por isso acharam que uma boa escolha seria o Papa. Mas não é que o cara assumiu todo se borrando que aquilo deveria ser um fenômeno climático, e que na verdade a igreja já sabia há muito tempo que Deus não existia nada, que era tudo intriga da oposição.

O pior é que nem estranharam tanto assim.

Então decidiram que era pro presidente dos states resolver a parada. Ele com toda pompa que um sujeito pode ter e na maior cara de pau do mundo respondeu que se Deus se escondesse era por que tinha medo dos seus mísseis.

Podia nem ser estranho, mas que assustava, assustava.

E no meio de uma discussão onde algumas emissoras questionavam se mandariam repórteres resolverem - não sabia se daria audiência -foi que um menininho sem tamanho de tão pequeno resolveu que iria conversar com o Todo Poderoso.

Todo sujo de chocolate e cheio de catarro escorrendo o moleque subiu a montanha onde se encontrava o Criador. O presidente dos states afirmou que queria ver se Deus tinha mesmo coragem de descer enquanto o Papa fingia que rezava. Enquanto isso as emissoras exibiam aquilo tudo ao vivo.

Quando chegou lá em cima tava o Senhor se bronzeando e logo que viu o menino todo sujo falou todo relaxadão. "Sabe que nunca tive tempo de aproveitar isso".

"Deus?"

"Pódizê."

"Você não vai descer, não?"

Aquele ia ser um não cheio de reticências, daqueles que depois de dois minutos de reclamação nem se presta mais atenção no que se fala, mas no momento que puxava o ar pra dizer aparece uma senhora sem dente toda preocupada.

"Ô, menino. Vê se pode vir aqui em cima atrapalhar o descanso do Nosso Senhor. Eu tava preocupada com você. Vem, deixa eu limpar esse seu nariz escorrendo."

E foi assoando o nariz da criança, sem cerimônia nenhuma que a mulher ia se desculpanda.

"Por que a senhora faz isso?"

"Ah, me desculpo, seu senhor por que seu descanso era por demais merecido, não sabe..."

"Não, não. Por que subiu essa montanha toda atrás desse menino?"

Com todos aqueles caminhos que a estrada da vida faz nos rostos de pessoas de verdade a senhora fitou o horizonte por um tempo.

"Como é que mesmo o nome daquela belezura toda bonita que tá na Bíblia mesmo? O amor..."

E Deus sentiu tanto orgulho daquilo que teve que voltar a trabalhar. Respirou fundo e lembrou do motivo de tudo aquilo.

Quando aquilo tudo terminou as câmeras já não estavam mais ali.
O presidente dos states falava sobre invadir a primeira cultura diferente que conseguiu pensar para mudar de assunto.
E o papa agradecia aos céus pelo retorno de Deus.

As coisas tinham voltado a acontecer.
E o chocolate continuava a ser gostoso.

Sinceramente, esperava um pouco mais desse texto em nível de produção textual mesmo(tô meio enferrujado, né. De qualquer forma acho que ele tá bonito, e defende o que acredito de verdade que a vida seja. (sem nenhum medo de ser piegas)

20.8.07

No topo

E foi assim, em tempos de frio, que as coisas degringolaram. Era coisa de aparecer nuvem preta dentro de sala e chover em nuvem branca... De verdade? Essas coisas que confundem topos de montanhas só fazem questionar se é montanha ou monte...

Mas no final das contas é bem fácil duvidar da altura de algo em que se está no topo.

7.4.07

Deu na Globo

Eram exatamente vinte e uma horas e dezenove minutos. Isso mesmo, em pleno horário nobre. O Boletim extraordinário tinha motivos para cometer a afronta de interromper a novela no momento que a mocinha, bonita e de família, descobria que o rapaz, seu noivo, era cara mau e o seu antigo amor, na verdade era bonzinho. Tinha que ser coisa pra lá de importante.

Era

A Globo afirmava com veemência: Deus não existia mais!

Foi um alvoroço. Gente se matando e Igreja fechando. Teve gente dizendo que a Nasa ia procurar pra ver se achava pra onde Deus tinha se metido. E os cientistas alardeavam que ninguém nunca tinha provado a inexistência de Deus.

(Ninguém deu ouvido aos cientistas.)

A Globo preocupada com a situação tentou amenizar as coisas. As pessoas com calma e em fila deveriam seguir suas recomendações, as instruções seriam dadas nos intervalos comerciais de forma a não interromper mais a programção normal. Foi um período turbulento. A emissora tentava redefinir o que era bom e o que era mau, as pessoas se amotinavam na sala pra prestar atenção, não eram tantas regras assim, mas as pessoas podiam esquecer. Por sorte a Globo era muito sábia, e passava e repassava as novas ordens de moral o tempo todo.

As intruções eram claras:

Se Insira e Consuma, mas não se insira se não for pra consumir, porque consumindo você está se inserindo, e inserindo você é consumido,

A justiça da Emissora não reconhecia limites. Reconhecendo a dificuldade daqueles tempos em diferenciar o certo do errado, e ciente da confusão que as pessoas tinham em saber o que era escolha e o que não era, Ela afirmava de meia em meia hora com um monte de imagem colorida e rápida pra ninguém poder mudar de canal:

Vocês são livres.
Apenas sigam as instruções.

2.3.07

Ana Maria da Costa da Silva

Seu nome era Ana Maria da Costa da Silva. Era daquelas que passava em ambiente qualquer sem fazer diferença nenhuma. Se chegava é porque já estava há muito tempo. Não usava roupa curta, brinco grande ou batom colorido.

Não era bonita, nem feia. Não chamava atenção, desprezo ou mesmo fofoca de vizinha invejosa. Poderíamos chegar ao ponto de questionar sua existência não fossem a sua mãe, seu pai, seu irmão e sua tia exaltando as qualidades que a menina tinha. Era boa cozinheira, faxineira, lavadeira, levava bicho pra passear. Era daquelas que se dizia: "Nunca fez mal a ninguém".

Ana Maria da Costa da Silva era tudo que se esperava que fosse, se alguém perdesse tempo pra pensar nela. Não era de muitas palavras. Não falava muito sem pensar antes, e se pensava demais acabava por achar melhor não falar. Ia casar com João Luiz Souza Santos apenas por que sua mãe disse que era bom partido, moço trabalhador, com emprego no Banco na cidade. Já tinha até carro.

,mas foi um dia. Um dia qualquer desses que acontece em todo lugar. Foi quando Ana Maria da Costa da Silva cismou por querer: olhou, quis e fez:

foi um rebuliço só que nem te conto: a menina ficou rebelde e ninguém sabia como, sua mãe querendo saber quem tinha influenciado, e seu pai bradando que nunca tinha dado coça, mas que sempre tinha primeira vez

João Luiz Souza Santos disse que não iria casar com moça que fosse errada, que era pra ela tirar a tatuagem se quisesse bom futuro com ele. Não tirou. Não tinha nem passado um mês e o rapaz já tinha pedido compromisso sério com uma outra Maria qualquer que não iria entrar pra essa história.

Agora Ana Maria da Costa da Silva era motivo, Ela passava e todo mundo notava, as vizinhas invejosas não tinham outro nome pra falar, na igreja todo mundo olhava pra trás e dava risinho, sua mãe, seu pai, seu irmão e sua tia não tinham nem mais vontade de sair de casa tamanho o caso que se gerou em torno da ovelha negra da família...

Diz por aí que foi embora, que não aguentou mais ser da mãe, do pai, do irmão, da tia, da Costa e da Silva sem ser dela mesma. Um amigo meu, se você não sabe, me contou que a encontrou por aí. Falou que está morando sozinha, e trabalhando pra custeio próprio.

Perguntei pra ele se viu a tatuagem.

Me disse meio que rindo e meio sem entender nada que na tatuagem estava escrito "EU",

5.2.07

despedida

esses negócios de sentimento é coisa pra lá de confusa
viu

é água pouca pra muito copo
e quando se bebe
no ultimo gole

é que se vê
ainda tem sede

E NÃO SOBRA MAIS NENHUMA GOTA
SOBRAM LÁGRIMAS...

9.1.07

Sempre

Arrumei as minhas malas de sonho pra gente se mudar...

Em um lugar todo especial pra levar meu cantinho de certeza em um lugar que não sei se existe.

então
pintei de laranja todas as gérberas
disse juras de amor no ouvido das paredes
e coloquei um monte de chocolate pras nuvens carregarem

E nossas chuvas vão ser do sabor de chocolate
Pra ela sempre reclamar que quando a gente brigava
ela engordava

Sempre,

18.12.06

Dias de céu azul pra bem longe de caixa-retângular

Foi em dia de céu azul que a moça percebeu,
em dia que nasce dente de criança, e que menino aprende "papai", "mamãe",
em instante de borboleta branca passar em frente,
um segundo depois do menino falar pra menina que amava ela.

Foi em dia de vento gostoso, de sol lá em cima,
de amor paterno, de lambida de cachorro, e de lágrima de emoção.

Por que dias chegam no fim,
E exatamente no dia que chegou 20h15min que começou um papo aí de Jornal Nacional
Era dentro de caixa-retângulo que aconteceu
Falava de um monte de coisa feia. Era mãe que tentava matar criança que matava esposa com maisdequinze facadas que ia preso que enchia presídio que botava fogo que fugia que vivia na rua que pedia esmola que era negado que pegava fogo
Era um monte de papo triste que fazia lágrima
Nem é por essas coisas de dúvida que se proseia por aqui o assunto narrado

Aconteceu tudo dentro de uma caixa-retângulo pra bem longe dali
em dia de céu azul que a moça esqueceu,

Por que dias de céu azul não fazem moças olharem pra caixa retangular.

27.11.06

Eles dizem: Nascer, crescer e morrer...

Quando em criança era daqueles de corrida,

"menino, vai comprar pão!"era com um pé que ia e com outro que voltava

"ô, muleque, come primeiro!"era farelo de pão voando pra todo lado

era gente de comprometer com um monte de coisa ao mesmo tempo

e corria de lá pra cá sem tempo pra pontuar querendo o mundo tomar
(as vezes dá pra rimar)

e foi com corrida ligeira que via os anos passar

mas hábito quando é hábito mesmo demora um monte pra soltar

você corre de lá pra cá sem medo de tropeçar

mas foi quando adulto que tropeçou,
pois foi um senhor, moço idoso com cabelos brancos, que o interpelou
-"Por que corre, rapaz?"
-pra pegar o ônibus, ora bolas
- "Parece não saber, meu homem, mas tempo de correr já passou, és um homem adulto agora. Deves ter compromissos que possa lidar sem correr nem suar."

E o menino corredor se tornou um homem cheio de vírgulas, e encheu as pernas de travas por baixo das calças, meias e sapatos.

E em um dia, já senhor, moço idoso, com cabelos brancos viu um homem adulto correndo pra pegar um ônibus. E com olhos invejosos, de quem não mais sabia correr o interpelou:
-"Por que corre, rapaz?"

24.9.06

.Quem,

Vazio é o homem que se escreve por ponto final.

Pois se encontra em parágrafo em branco.
Talvez em borda.
Um canto.

Já lido.
Perdido.

Pois se não.
Seria interrogação.

Então escrevo.
Rabisco e rasuro.

E é quando releio.

,que na vírgula me enxergo afinal,

16.9.06

Versos que tampouco melhoram...

Era um criatura deplorável:

Velho,
aidético,
horroroso,
flagelo,
humano?,
sete tiros pelo corpo,
pede esmola,
fala errado,
diz: amém,
humilhação,
esmola,
alguns centavos...

E a única coisa que me fez perguntar, meu Deus,
é o que foi que eu fiz pra merecer tão mais?

18.8.06

A menina sem nome

Foi que aconteceu do pombo pousar no colo daquela pessoinha. Estava com os pés balançando na beirada em um andar qualquer de prédio.
E com olhos de gente pequena perguntou:
-Pombo bonito, ensina-me a voar?

Quem diz que pombo não chora é porque não teve a oportunidade de ver o episódio. Aquela criaturinha tinha os olhos marejados por admiração - Reconhecia, para aquela menininha ser anjo só lhe faltavam asas. E com um pequeno arroubo de inveja propôs um trato:
-Menina bonita, ensino-te a voar. Mas prometa-me o seguinte: ao mundo dos homens nunca há de retornar.

E foi assim que a garotinha se foi.
E é por isso que os anjos não são vistos por nós.

Escrito para uma menina pequena que não sei o nome e que nunca será vista por mim...

16.8.06

caminhando de mãos dadas em um lugar onde a soma de 1+1 é o infinito

,caminhavam,

ela com os olhos no chão, cabeça na meta, a perder no horizonte,

ele com os olhos nos céus, cabelos ao vento, se perder é constante,

ela alertava: tem pedra na frente, amarra o cadarço!, tem curva adiante,

ele lembrava: estrela é bonita, respirar é preciso, Quer refrigerante?

,caminhavam,

19.7.06

Dias de andar no chão

Foi que aconteceu do homem aprender a voar. Não era artimanha de tecnologia ou pó de fadas. Em dias que não passaram ainda o homem aprendeu a voar quando queria. E foi em dias de futuro que aconteceu. O Jornal Nacional divulgava com entusiasmo para aqueles que queriam saber que o céu não era mais privilégio de gente rica.

Era olhar lá pra cima e pronto.

Os mais velhos olhavam para aquilo, dizendo que era obra do capeta. Os adolescentes ficavam vigiando o apartamento das meninas gostosas. E as crianças não saiam mais do céu.

Era um tanto de mãe desesperada nas ruas segurando cabos de vassoura gritando que aquilo não fazia bem, que era hora de almoço, ou que o moço do saco voador podia pegar elas.

De fato era perigoso esse negócio de não voltar pro chão. Tinha menino que nunca mais descia, esquecia desse papo de ser gente e nem mais comia, caia, mas não era de maduro. Era de fome. Isso eu nunca vi...

Tinham aqueles que decidiam por voar quando viam montanhas muito altas, ficavam com medo de machucar os pés, ou de ver bicho papão no caminho. Isso muita gente fazia. Eu não preferia.

Os meus favoritos era um pessoal mais raro, que preferia gastar a sola e calejar os dedos na subida. Sabiam, eram espertos, subir montanhas de verdade era trabalho de esforço. Era do seu entendimento que existiam lugares bonitos que só podiam ser achados por quem andavam nas terras de baixo. Essas pessoas eram inteligentes, quem voava não sabia o que tinha embaixo de árvore. Mas ainda voavam. Voavam paradas, para olhar onde estavam, ou pra trás, para lembrar do caminho. Faziam isso pra sentir o vento no rosto, o sol mais de pertinho e principalmente para visitar as nuvens rosa de algodão doce que só pode fazer quem ainda pode voar.

É verdade, tinham os que nunca mais voavam quando cresciam - desaprendiam, ou não queriam - , mas desses eu sentia pena...

Escrito em dias futuros pra todos aqueles que estão atravessando montanhas, e principalmente para uma menina linda que está se vendo em uma bem grande no momento que se passa.

1.7.06

A criação de Feeria

Antes havia o sonho,
E foi do sonho que tudo começou,
pois Ele dormia por que não existia nada que pudesse olhar.

Foi em sonho que surgiram as cores,
tão belas, que o fizeram chorar.
tão bonitas, e o seu coração a cantar.
E nos sonhos das cores viu que queriam andar.

Foi em lugar estranho, onde não existia o aonde.
As cores paradas dormiam.

Ele era bom e deu terra para que andassem.
E começaram a se misturar e a outras cores criar.

E outras cores eliminar.
O sonho ia escurecendo, as cores iam se subjugando.

Foi uma época estranha, quando não existia o quando.
E as cores não podiam ser punidas.

Ele era justo e fez o antes para que as cores fossem julgadas pelo que tinham feito.
E começaram a carregar caminhos andados.

Abriu os olhos
viu cores,
a cada uma sussurrou um nome,
e a todas chamou de deuses.

Mas não disse seu nome,
chamaram-no de deus que despertou.

E deu a cada um dos deuses uma ferramenta.

19.6.06

A resposta

Foi naquele dia em que os homens perderam quase todas as perguntas e só guardaram uma:

"Pra que serve?"

"Serve pra fazer de mim homem de muitas posses?", perguntavam os homens nesse dia. "Pois serviria pra me fazer querer o que posso ter?"-Continuavam.

E era um tanto de muito que respondia não.

As crianças perguntavam pra que servia saber que o céu e azul, e quando cresciam pintavam o céu de cinza.
Os meninos questionavam o papel da poesia, e os adultos diziam palavras sem pausa pra respirar.

Tanta coisa que dizia não...
Os pequenos queriam saber os nomes de todos os animais, e quando grandes catalogavam as bestas em números que contavam o todo.
E nesse dia aprenderam a fazer isso também com os homens.

O homem olhou orgulhoso para aquilo tudo que tinha descriado e foi descansar no sétimo dia.

Por que no primeiro voltaria a servir para algo...

15.5.06

letras-peixe

Era assim que acontecia: o menino-moço-rapaz cismava de tirar aquelas palavras-signos de dentro de si mesmo, tirava pela boca e colocava na mesa que era mundo, em bandeija para quem quisesse pegar, e olha só:

As palavras eram um monte de peças de lego, e todo mundo brincava de montar com aquilo que não pertencia mais ao menino-moço-rapaz... Ele corria atrás daquilo que tinha colocado no mundo, agora com pés, era mais difícil de pegar de volta...

Depois que tira as palavras da boca, menino. Elas deixam de ser suas...
As vezes tem asas.

Mas sempre, sempre serão de sua responsabilidade.

Construiu então aquelas palavras com mais cuidado dentro de sua barriga, antes de atirá-las pra fora. (É na barriga que elas são criadas?) Aí, ninguém mais queria. Já tinham se empaturrado com palavras de outros...

O que podia fazer?

Era um mundo complicado, onde um monte de letrinhas pulava como peixes para serem fisgadas...
Nem todos tinham anzol grande o suficiente pra pegar o que queriam...

(texto experimental e louco, no começo falava de uma coisa e depois mudei o sentido todo do troço.... heheheheheh)

17.4.06

Lanchin da madrugada é o caralho!

No universo das coisas que se pensam, mas não se tocam se movia uma energia que tinha luz mas não se via...
Era coisa simples de se falar, tinha era clichê que não faltava pra definir aquele estado das coisas que nunca tiveram pé começarem a ter... , e naquele espaço maior do que a cabeça que se viu rodeados desse monte de clichê...
Menos de um deles: As coisas só faziam mais sentido...

E o rapaz pensante, sujeito chato da porra,
ficava a girar
a manivela do pensar...
quem sabe haveria uma outra maneira de falar...

,mas a moça estava a esperar
e o rapaz com ela queria brincar

Tacou nela um Eu te amo!
E outro vamos viver pra sempre?

E pronto!

Foram brincar!
Não queriam perder tempo!

13.4.06

A canção mais bela do firmamento

Assim me foi contado, na língua sem escrita dos unicórnios, que tão muitos anos haviam se passado quando houve aquele dia em que Rianno, criador de estradas, encarava um sol que não conhecia.

Chamou o sol da liberdade.

Só agora ia,
antes não podia.
Era fraco, ainda admitia.

,mas em força em si crescia,
a espada a si já pertencia.

Fez de si mesmo morada em tempos que tinham passado. A mordaça não havia tirado desde anos que caminharam para longe.

Hoje se viu capaz.
(faltava ainda força)
,mas era capaz.

Arranca a mordaça que tinha imposto a si mesmo, a mordaça que o calava pra fora, mas berrava você é um fraco na língua dos pensamentos.

Arranca a mordaça e encara a luz.

E como me confiada essa história, que eu impiamente - um pecador - escrevo para desgraça das tradições do povo de um chifre só. A ti relato.

Rianno cantou.

Não cabe aqui, mas não há outro momento: Tu te perguntas: Mas como pode a mordaça na boca por tanto tempo? Não comeria? Não beberia?

Agora a sabedoria do narrador me abala com essas perguntas, mas quando em ouvidor eu apenas ouvia e entretido chorava.

A minha resposta?
Não sei.

Podia mudar o conto e as letras, e nas pegadas que escrevo na história que não era minha torna-la a ti mais verdadeira. O povo unicórnio esta atitude nem mal julgaria.

As histórias tem pés e andam sozinhas.
(boas histórias andam muito, as vezes correndo)

,mas a mim mentira ela se tornaria.

E a única verdade que guardo nesse saco é:

Fez de si mesmo morada, em tempos que tinham passado. A mordaça não havia tirado desde anos que caminharam para longe.

E canta a liberdade em voz ganhada por empenho, e te digo que nestes sujos papeis não há espaço que não seja vil para descrever a beleza da canção que o criador de estradas cantava.

Não, - te digo - livros não foram feitos para canções. As letras foram feitas para emoções.

,pois se diz que em respostas àqueles versos cantados com tamanha maestria por cantor que nunca havia um soneto criado,

esses versos de liberdade,
que cantavam caminhos trilhados,
estradas a serem criadas,
que cantavam muros derrubados,
muralhas que seriam arrasadas.

Sonhos feitos,
Sonhos vistos,
Sonhos,
sonhos sonhossonhossonhossonhossonhos
sonhossonhossonhossonhossonhossonhos

Nesse momento os pássaros se calaram, se ruborizariam se tivessem pele.
Todos os instrumentos daquele mundo se quebravam, por que seu direito a música tinha sido negado.

E os deuses pararam tudo aquilo que podia ser chamado mundo.
E clamavam uma chuva que podia ser sentida por distância ainda não percorrida.

Porque quando chove, os deuses estão com os ouvidos mais próximos.

(me deu vontade de escrever sobre Rianno de novo, eu comecei a escrever sobre ele no que seria meu projeto de um livro, e pretendo terminá-lo um dia. Esse trecho contaria do dia que ele finalmente se considera forte o suficiente para não mais depender de seu povo e vai embora querendo vencer a morte e o tempo para reaver a sua vó)

27.3.06

fica com reticências então

arfava..., arfava...

domingo? sei lá... pontuava o texto apenas porque era assim que deveria ser feito.
domingo... se sábado era o sétimo dia, por que se descansava no primeiro? ah, quem sabe? por que Ele iria trabalhar diferente?

arfava arfava

(as vezes nem pontuar pontuava)

costas pesadas ou pregos na cama? sei lá...
era domingo, seria engraçado(seria, poderia ser,mas não era), quem poderia enganar? que outro dia poderia ser? sonhou, não dormiu, será que o dia passa quando não se fecha os olhos?

seria engraçado(seria, poderia ser,mas não era)

a os pingos da chuva batiam na janela sussurrando: "levante" e o cinza do céu montava em suas costas pesando como promessa...

levanta e vai pra chuva,
não existe lágrima na chuva, quando se é invisível na multidão...

então ele chove, o reflexo de ontem no espelho do banheiro no antesdormir brotava em planta em sua cabeça, tinha sido feito a Sua imagem..., não gostava do que tinha visto
covarde... não seria mais

não seria?

talvez um café forte o ajudasse..., mentira, nem queria..., nem ajudaria,... não beberia!


não faria mais nada que não fosse aquilo! e pro inferno inferno toda aquela covardia!entrou na casa!pro inferno toda aquela convardia!chega na sala!pega o telefone!proinferno todaaquela covardia!discaonúmero!proinfernotodaaquelacovardia!erraonúmero!proinfernotodaaquelacovardia!proinfernotodaaquelacovardia!proinfernotodaaquelacovardia!proinfernotodaaquelacovardia!proinfernotodaaquelacovardia!proinfernotodaaquelacovardia

discaonúmero!
acerta!

Pegouotelefoneegritou:
porfavor,euprecisode Deus!

"Todas nossas linhas estão ocupadas, por favor tente mais tarde."

Morreu,
se matou,

e foi pro inferno por falta de espaço no céu

sem ponto final, exclamação, ou mesmo ponto de interrogação
e se fizer mesmo falta, fica com reticências então...

24.3.06

Biggs e Wedge

Tão poucos dias que impressionava tanta mudança. Biggs e Wedge ainda guardavam um monte de confusões em suas cabeças...
Em tempos que não conseguiam contar com precisão de relógio tinham estado presos, parados, congelados em momento nenhum em lugar que não existia.
O lugar não existia, mas tinha nome.
Era Azin-lah que brotava em cabeças.

A cidade secreta com nome que engana.
Em barras de montanhas estavam presos.
A saída da cidade sem estrada sofria de ausências de liberdades.

Não podiam sair, mas sairam. Sairam, foram salvos.
Eram naga, o povo serpente. E questionavam qual era a função que desempenhavam no grupo que os tinham salvado.

Azáali, a naialli, falava com pedras e rios e chamava a libélula.
Shaitan, o shiin, lutava as quatro espadas.
Zirrak, o zingara, era aquele que se escondia nas sombras
e Jarsbüh, o naga mago, era aquele que as chamas dominava.

Não eram magos poderosos, tão pouco guerreiros experientes. Biggs sabia um pouco de espada e Wedge quase nada de fetiçaria.

E naquela reflexão de quem pensa que o shiin falou na interrupção de quem ouve. Cabe um espacinho parênteses no que se quer falar o que é shiin:
(Era povo de rosto bonito e corpo esguio. Com orelhas pontudas.
Com traços delicados. Era o povo de quatro braços)

Aquele sorriso delineado abaixo dos olhos com linhas em preto, dizia:

"Durmam, amanhã é um longo dia."

"E agradeçam, a pouco saimos das montanhas de vidro."

Biggs e Wedge, então dormiram o sono dos intranquilos...
A chave ainda era um problema.

De novo um pedaço do meu jogo...

14.3.06

Difíceis decisões...

Baô estava assustado, a cobra-rio-deus tinha se mostrado e comido seres da terra... Por que teria feito isso? Os zingara, povo gato, rei das feras nada tinham feito contra o rio para que ele os atacasse. Só tinha uma resposta, era aquela resposta que fica agarrada na cabeça e que só se admite por que quer descansar de todas as outras possibilidades que sem sentido pensadas...

"O deus estava com fome."

Era uma daquelas soluções simples que só um naialli, criança da floresta seria capaz de dar. ,mas aquela resposta implicava perguntas... Deuses não sentem fome do lado de cá...

Não gostava dessa história de ficar mudando coisas, Azáali tinha acabado de voltar. Teria que se ausenatr mais uma vez, a chave que o grupo carregava tornava a vida na vila naialli muito perigosa.

"Vocês devem encontrar Airos"

Tinha sido a ultima coisa que foi aconselhada ao homem cobra, ao zingara, ao homem de quatro braços e a Azáali antes de irem embora.

Os homems maus os seguiriam.

"Que deuses de boas intenções olhassem para o caminho deles..."

Esse texto é louco pra maioria, mas ele fala de um RPG que eu tô mestrando...

12.3.06

Naquele dia de ontem(Um texto espontâneo...)

Se eu pudesse... pegava minhas trouxinhas e ia morar naquele dia de ontem...
Ia lá, ficava de bobeira com a barriga pra cima, sonhando com o amanhã... Nossa! ...como seria bom viver pra sempre naquele dia de ontem...

Fechava os olhos contava até dez, e olha só, continuaria no que era aquele dia de ontém, o amanhã era só um prato gostoso que você sabe que vêm por que conhece o cheiro que a cozinha tem quando sua mãe está lá...

e o sem sentido nem teria seria tão desimportante assim, por que se estaria naquele dia de ontem...

2.2.06

meninos não precisam de Deus

Era assim ó: tinham inventado um nome que depois daquilo a pessoa precisava de uma coisa pra continuar, essa coisa se chamava Deus, o nome daquilo era adolescência. Antes disso Deus estava no andar e no riso. Estava no brincar e no comer. Estava no chorar, e principalmente naquele momento de olhar formigas carregando pipocas em suas costas.

Crianças não precisavam de Deus.

E era na casa Dele que a mãe cismava de levar a criança. Era um monte de canto, que gente adulta e chata cismava de chamar de louvor, era umas falações aborrecidas e que não parava, que gente adulta chamava de pregação. Como os adultos gostavam de falar difícil! Será que era complicado ser de verdade e colocar em palavras coisas mais simples. Parecia para a criança que os adultos tinham um montão de palavras para falar da mesma coisa... Ai, que coisa chata!

Naquela hora eles tavam fazendo aquele negócio que chamavam de oração... Na verdade era um monte de gente grande de olho bem fechadinho e fazendo barulhinho engraçado... Ah, nem fechou os olhos. Ficou olhando pra todo mundo. Era um monte de gente que fazia cara engraçada. Era gente velha levantando a mão pro céu.

O melhor era essa parte. Era por que ninguém podia saber que a criança não estava obedecendo. E olhava. E ria baixinho.

E olhava de novo.
E ria gostoso com a mão na boca.

E olhava de novo.
E olhavam pra ele.

Tomou um susto. Tinha sido descoberto. Na outra linha de cadeira tinha olhos abertos também. Eram olhos de criança que tinham olhado os olhos de criança dele.

Sim, existiam outras crianças.

Fechou os olhos bem apertadinhos. E começou a fazer como adultos.

"Desculpa, meu Deus. Desculpa, meu Deus. Desculpa, meu Deus."
Era naquela voz franca e medrosa que as crianças fazem quando tem medo.

No final. Quando todo mundo ia embora. A criança procurou a outra criança.

Não achou.

Será que tinha sido Deus?

18.1.06

A bailarina não precisava de música, mas bailava

Era de balé que fazia sua vida,

era giro pra lá
era giro pra cá

era rodopio,
era pula-pula

Até o dia que viu aquela piscina de gelo,

era quebradiça,
era fragilíssima

,mas escorregava que era uma beleza.

E viu o par de um, e se encantou naquele não bailar mais sozinha.
Não girou mais. De rosto encarou aquele conjunto que era um virar dois.

Dançava sem rodopiar. Dançava de rosto pra frente.
Nem era límite,

era explorar um só modo
era se especializar

e era linda que ficava quando via.

E se viu atrás de seu par...

era percepção
era reflexo

era parede de gelo
era fino

era, porque quebrou

E era atrás dela que o par estava de verdade
E era nas suas costas

era, por que não olhou pra trás. Chorou os pedaços que derretiam

Ele foi embora
Ela?
Ela derreteu naquilo que era piscina de gelo...

Era, apenas era...

(esse texto foi escrito para o concurso maldito, é UMA FICÇÃO!, eu e Rebeca passamos muito bem, obrigado)

17.1.06

sem vírgulas por hora

Nos olhos três pupilas
Escorriam em três os pontos
eram aquelas malditas reticências...
elas vinham sempre por motivo nenhum
e um gigante ponto de interrogação vinha depois

Era o garoto motivo nenhum
plantou sorrisos
semeou tristezas...

Era de espanto que via os sulcos de sua enchada
Esguichava lágrimas como petróleo
tinha valor de troca
mas não comprava nada...

esperava outra vírgula no ponto de ônibus

mas era a condução da culpa que vinha chegando

Era melhor ir a pé
o demorado as vezes recompensava...

(sem vírgulas pelo menos se escreveu sem pontos finais...)

11.1.06

Oração dos agnósticos

Ah, meu Deus!,
se você estiver por aí.
Dá um passeio e
Dá uma olhada aqui.

Ah, meu Deus!,
se tu tiver no céu.
Cuida desse mundo
Que virou cruel.

AH, MEU DEUS!,
se o senhor já foi homem
Lembra os ferimentos,
As cicatrizes não somem!!!!

AH, MEU DEUS!
Se tu de fato há!
Nos dê só uma causa,
que nossa vida seja,
muito mais que ar!

28.12.05

caminho de nuvens de sonho.

Recostou-se naquela sacada de olhos, as asas doiam em suas costas.
Doiam por que eram amarradas desde há muito.
Doiam porque existiam.

Aquele escorrega de rosto era o que sobrava.
Seria divertido se não houvessem cordas em suas costas, a tentativa de fuga só fazia doer mais.

Os limites eram bem definidos pelas suas mãos e seus pés.

Tudo que era existente porque existia, tão maior do que tudo que tinha dentro do castelo si mesmo.

E a dor daquele espaço se mostrou vazio, um vazio sem nenhum sentido...
O pouco que tinha escorria.
Era em escorrega de rosto.

Sorriu a falta do sorriso.
Chorou a máscara de sorriso.

E quebrou a máscara, e foi em correnteza de lágrimas que viu o caminho.
Pedaços de máscara que foi o barco.

E foi.

Pintou o céu de nuvem.
E soprou o grito dos jovens aquela vela.

Estava com os olhos fechados.

22.12.05

Busca do ponto final monocromático

Antes era borrão de cores em fundo cinza

Em infância era um monte de lápis de cor, era laranja bonito, e azul de papai do céu, era amarelo sorriso, e vermelho de sorvete... tudo aquilo em rabiscão... Nem sentia direito pra onde iam aqueles riscos!

Era risco pra cá
E risco pra lá

Era rabisco e rascunho...
E pintava o céu, e pintava vida, e pintava sonho e pintava brincadeira

Era um montão de beleza, era vírgula, e era ponto de interrogação, Um monte de exclamação cheia de sorriso e um monte de reticências de curiosidade,

só não tinha era ponto final...

Em adulto conheceu o lápis cor de verde... Estava apontadinho e chegava a brilhar quando escrevia... Os olhos abriram, era essa a ganância:

Decidiu por escrever de reto, não queria nem curva, nem queria saber de vírgula ou de interrogação: queria dois pontos, e o feio travessão, o interesse máximo era o ponto final...

Mas de final tava longe, e a ponta do lápis quebrava, nem adianta apontar, o lápis pequenininho
ficava...

Olhou a caixa de lápis, sobrou cinza-chumbo de chuva...

Pintou a folha de céu
Aquele fundo não era mais só o fundo...
Se misturava, se olhasse de longe, dele pouco se sabia onde estava.

Momento pensado e sua materialização em luz e letras

O blog é um direito de se escrever quando se quer ou é uma obrigação de escrever sempre?

O blog é seu ou você é do blog?

(as vezes quando vejo o tempo que passou desde a ultima postagem acho que tem alguma coisa errada, mas fala sério: que bobeira...)

17.12.05

Existia ela.

,
empregava cada gota daquele corpo no esforço incenssante de fazer aquele mundinho girar em volta de seus pés,
Cada gesto, cada movimento calculado, tinha exata ciência da resposta que tinha a sua volta...

Era uma moça de propósito, nem pensar que era sem querer...

Tinha ganhado condição de deusa, e aqueles eram seus adoradores...

Era uma sensação como sem igual, sorria a percepção...

Não existia mundo, fora dela, dos sons que moviam seus gestos.

Existia ela.

13.12.05

O outro de picareta

A pessoa chorava por dentro objetos que não poderiam ser vistos. Era pior essa coisa de chorar pra dentro, era dentro dos ossos que as lágrimas escorriam e o sal presente naquela aguinha de olhos só fazia sentir dor no sangue...

Como era trabalhoso esses assuntos de criar muros.
E a pessoa se fechava em cubos de gelo... Não era como qualquer prisão aquela... O outro podia ver.

Mas era díficil ajudar uma pessoa no cubo de gelo, picaretas a faziam machucar...

E o outro, como sendo bruto usava a ferramenta maldita...

Burro era o outro, era só ficar sentado a vista da pessoa. Tentando aquecer aquela caixinha que pulsava.

E talvez o gelo derretesse...

Mas não adianta gritar. Pessoas dentro de gelos não podem ouvir...

(agora peça desculpa, seu outro!)

7.12.05

Manifesto pedinte

E tudo o que você tem que fazer é dar qualquer valor, até mesmo nada. O objetivo deste manifesto é confirmar aonde esse dinheiro será aplicado, e provar como o nosso papel é bem definido na sociedade.

Temos a função de tornar vidas melhores! Quando vocês estiverem passando por grandes problemas, estiverem deprimidos, tristes. É só sair pelas cidades! Temos agentes que ficam andando pelas ruas das cidades em todas as horas. Quando as pessoas presenciam nosso sistema de coleta de dinheiro, de alimentos, ou mesmo as enfermidades que afligem nosso corpo, em geral se sentem muito melhores. Bem, não podemos garantir, e nem podemos pensar em devolver o dinheiro aplicado em nossa causa, ele provavelmente já foi aplicado em funções que definimos carinhosamente como "nossa sobrevivência". Mas estudos provam que a maioria das pessoas que nos vêem quando passam por situações de aflição se sentem mais esperançosos com relação a suas vidas. Comentários comuns são: "Essas pessoas que tem problemas de verdade", "Tá vendo? E você fica reclamando!". Existem várias outras formas de se expressar essa percepção, sintam-se livres de criar uma nova.

Também podemos fazer vidas mais engraçadas, ou fazê-los se sentirem superiores. Vocês podem nos maltratar, rir de nossas peças de roupas extravagantes, nos mandar embora quando sentir o exótico perfume de nossa sobrevivência, nos surrar, e em alguns casos nos matar. Visto que as autoridades nem nos notam, vocês provavelmente não terão nenhum tipo de represália jurídica. De qualquer forma preferiamos que pelo menos não nos fosse privado a vida. Mas isso é da escolha de vocês, em vista de nossa baixa saúde não temos maneiras muito eficazes de defesa que não incluam a piedade de vossas senhorias.

Devemos alertá-los daqueles que sofrem quando nos vêem, bem se não tiverem dinheiro pra nos ajudarem, pedimos que façam como a maioria dos transeuntes que tem coisas mais importantes para pensar - tais como novos namorados, quem vai passar no paredão do Big Brother, ou mesmo quem vai ganhar no Brasileirão - e simplesmente não nos vejam. Somos extremamente especialistas nesse assunto de invisibilidade, não precisamos sermos vistos se não ganharmos nada nesse assunto. Portanto não se preocupe com os problemas que causamos.

Pedimos desculpas por tornarmos sua cidade mais feia, mas acreditamos que agora como nosso manifesto percebido e com nosso papel mais definido, vocês, cidadões de respeito, perceberão que o custo benefício é bem justo para ambas as partes.

Você quer saber o produto que vendemos. Bem além de propiciar toda essa satisfação sem nenhuma taxa constante, o nosso serviço consiste em vender nosso orgulho. O ultimo bem que poderiamos manter.

Mas não mantemos.

29.11.05

Poema do sol (amanhecer em rimas)

Ela estava naquele humor de quem anoitece. Ele estava a chover.
Ele sabia, intuia, torcia, tinha sol, quem sabe fazia?, em cima das nuvens que sua pele expelia.
Ela imaginava, planejava, orava, o amanhecer quem sabe chegava...

Mas sol quando é sol aparece por si só, nem adianta chorar, esmolar ou implorar...

Ele chovia torrencialmente, todo molhado. Já se via gripado.
Ela noitava em sereno. Pele molhada. Narina melecada.

Ele espirrava.
Ela mau respirava.

Mas tempo quando é tempo passa por si só, não adianta vigiar, parar ou segurar...

Ela ainda não tinha amanhecido,
Ele em si o sol não havia nascido.

Mas os sonhos ventavam, sopravam, empurravam,...

Ele começou a perceber, cheirava a ozônio. Era cheiro de terra, cheiro gostoso, que só sabe quem já em terra mexia.
Ela olhou para seu céu, era tudo infinito. Era estrela brilhante, estrela bonita, que só sabe quem em telhado as via.

E até esqueceram....
sol quando é sol aparece por si só, nem adianta chorar, esmolar ou implorar...,
tempo quando é tempo passa por si só, não adianta vigiar, parar ou segurar...

Era poema solar, se inspira há tempos, mas só se escreve, se de verdade, permanecer na mente.

Ele viu na noite dela o seu ensolarar.
Ela viu o seu amanhecer naquele água no ar.

Nos olhos alvorada,
estavam a brilhar.
Era abraço solar.
E só junto que foi,
eles amanheceram, se ensolararam
Naquela mágica que era um virar dois...

25.11.05

Construção do homem à deriva feita em um mundo cinza

Era o ator de si mesmo,
Olhou para platéia,
apenas um,
apenas um.

Estava tão escuro,
não dava pra reconhecer.
não fazia idéia quem era,
Aquele platéia,

Era a platéia si mesmo...

não batia palmas

(algumas vezes eu me sinto inspirado lendo outros blogs, esse texto na verdade foi escrito originalmente como comment em um blog de um amigo meu, Obstáculo 1 - esta nos links -, sob inspiração do texto Prosa do Velho a Beira da Morte, Vale a pena...)

22.11.05

,,vírgulas,,

Decidiu por escrever de vírgulas,

No reino dos pontos de interrogação era que se esperava?
No reino dos pontos de exclamação tudo se espantava!
No reino dos pontos finais a coisas terminavam.

Mas era na ponte das vírgulas que elas se encontravam, as frases se encontravam sorrindo, estavam juntas,
a vírgula era anel de noiva,
Deixaria as palavras ligadas, mesmo que separadas,

Por isso decidiu escrever vírgulas,
Era assim, mais bonito, tudo unido com aquele curvas pequeninhas, um ponto final que escorreu na bundinha um rabo,,,

Era ali que escolheu ficar,
Escolheu, iria ver o mundo com vírgulas,

Não queria que acabasse,,,

9.11.05

,vírgula,

Era mais uma daquelas vírgulas lindonas,,,

Fumaças se formavam sobre um lindo pescoço fino, o moço pensador viu aquilo do telefone e se divertia... Iria escrever belas palavras com a boca e jogaria uma pedra de flor pra machucar aquele mau humor.

Eram palavras de sorte, pedacinho de vida, vida que se montava como quem pinta quadro de amanhecer.

E naquela altura a moça analisante sentia o cheiro azul-claro daquelas palavras... não tinha nem como protestar. Não havia tempo para levantar muros de fechamentos. Não estava preparada, foi arrombada...

E sorriu...

Sorriu na compreensão que aquele rapaz tentava caçar infinitudes em seu quintal com uma rede de caçar borboletas.

Ela não sabia de infinitudes, mas amava borboletas.

Viu aquilo tudo pelo telefone, em uma gota de minuto em uma manhã qualquer de um dia de ontém, tudo dentro de uma vírgula lindona,,,

6.11.05

Duvidas pertinentes ao sistema do nosso e de suas prováveis consequencias em possibilidades futuras

Ela disse: "Por que estamos juntos?"... Ele olhou dentro da própria cabeça pra ver se achava, era responsabilidade aquela história de responder coisas tão importantes, começou a ler aquela lista que tinha achado no seu pensador, coisas óbvias e nem tão óbvias assim que via de bonito no relacionamento dos dois...

Mas não era isso que ela queria saber.

Ela queria saber por que as pessoas ficavam juntas. Era uma daquelas pessoas que tentavam transformar as coisas em funções. As coisas eram como tijolos de uma casa, serviam para construir.

Ela não entendia aonde entrava aquele tijolo chamado casal, era complicada aquela história... Era um tijolo amorfo e de massa mole aos olhos dela...

A casa que construia ainda a pouco saia dos alicerces... parecia complicado arriscar um tijolo assim tão cedo...

Ele olhou nos olhos dela: "Homens são seres indíviduais, e precisam ficar sozinhos. Precisam se ver como parte separada do todo. Como seres com necessidades... Mas homens são seres sociais também, e precisam de uma resposta do todo para formarem seu caráter. Dessa forma é inteligente se associar dessa forma, sentir amor, o ambiente sempre dá respostas para as suas ações e seu caráter vai se formando ao lado da pessoa escolhida..." (Por que namorado é você que escolhe.)

Ela sorriu, não um sorriso imediato, não depois daquela resposta, e talvez nem por causa dela... Mas sorriu o sorriso das pessoas que escolhem a cor da tinta de seu quarto sem ter dinheiro pra colocar o azulejo na cozinha...

Sorriu por que era belo assim.

... AH, E ALIENADO É A TUA BUNDA!!!!(ainda incomodado...)
sinceramente eu tinha que registrar isso, hehehehehh

28.10.05

Festa surpresa de aniversário na casa dela

Existem momentos... Momentos acabam, passam, se vão... O tempo, monstro que devora, se encarrega de devorar esses momentos em seu estômago sem fundo...

Mas existem momentos que se desdobram, e ficam repercutindo-se indefinidamente em cabeças grandes de meninos que pensam. São momentos que não se esgotam no tempo que acontecem, eles continuam acontecendo além do tempo que parece destinado.

O tempo vai se esvaindo de regras e não consegue manter aquilo nos seus domínios.

Ele, o momento, continua e continua...

24.10.05

CLARO QUE PULOU!

O menino só fez estender a mão,
Ela tinha medo... Tanto tempo coberta naquela coberta, manta que chamava si mesma que não sabia mais o que era aquilo que estava na sua frente... Era uma estrada em curva que se assemelhava a um ponto de interrogação.

Mas você já viu mesmo um ponto de interrogação?

Para chegar naquela estrada precisa tomar coragem para pular o espaço que existe entre aquele pinguinho e aquela primeira reta, E pra que isso?

Tinha uma curva logo depois! E pra onde ia?

Aquela manta era confortável e quentinha! Iria sair de dentro si mesma? Era tão complicado, arriscar aquilo tudo! Mas não tinha espaço pra duas pessoas no pingo do ponto de interrogação.

Abriu uma frestinha e viu. O menino continuava com a mão estendida.
-"Venha, vamos descobrir o que tem lá na frente?"

Ela era corajosa, mas tinha medo do que fugia daquela mente que sabia matematicar as coisas... Mas era estranho, os números de sua cabeça também diziam para que pulasse.

Pulou.

"CLARO QUE PULOU!"

Exposição do que não se pode negar de uma verdade colorida

Eu também te amo

20.10.05

Eu

Eu sou uma bola de espinhos a rolar! Aonde passava ferimentos escorriam!
Na minha testa tem um sorriso pintado! As pessoas enxergam a felicidade ali!

Não tinha nunca como ser suficiente, bolas de espinhos só servem pra machucar.
Talvez fosse melhor parar... Fincavasse em tábua de madeira...

E parava, e a monotonia daquela prisão salvaria todas elas...

Não me abrace, ou abrasse, e foda-se como se escreve isso!

Eu sou uma bola de espinhos

dos Anjos

Ela pegou uma caneta, canetas não se apagam facilmente,(ela queria marcar a eternidade), e escreveu no livro das vidas. Com cuidado e esmero de quem sabe que nossas letras dizem tudo de nós mesmos. Queria escolher as letras que permitissem aos outros saberem apenas o que ela permitisse que soubessem. Ela era muito mais que aquilo que escreveria, mas esse conhecimento bastava a ela. Se mostrava apenas em números de funções que este escriba achava muito complexas...Não tinha calculado, mas se sabia muito da pessoa pela folha que tinha escolhido pra escrever, aquela não era de plástico funcional... Era de papel colorido e com cheiro.Papel rasga! Droga não tinha calculado isso!!! Que absurdo! Como podia... Mas já estava escrito! E com caneta...Mas a maioria deles não enxergava isso... ela se achava exposta, mas era mentira...
As pessoas não viam...

(mas ele viu...)

(isso era pra ser um depoimento, mas bem, acabou que achei que o melhor lugar pra colocá-lo fosse aqui...)

14.10.05

Por trás do véu dos olhos distantes

Aquilo estava ocupando um grande naco do seu pensador, seria uma daquelas pessoas chatas e desinteressantes se desse a oportunidade para si mesmo.

Preferia ficar calado.

Com aqueles pensamentos que se regurgitavam indefinidamene. Pensamentos que se olhavam no espelho sem se cansar nunca. Eram assim, vaidosos e narcisistas.

E toda essa arrogância os fazia espaçosos.

Como eram inconvenientes, não permitiam os outros nem mesmo esticarem suas pernas. Estavam lá deitados.

E os outros pensamentos se sentiam melindrados em presença tão áurea. Era assim porque eram pensamentos bonitos. Toda aquela indelicadeza que se demonstrava inoportuna vinha da certeza de toda sua beleza.

Ô, pensamentozinhos mais graciosos.

E sabiam dançar...

Sentiam cíumes os outros pensamentos, mas eram honestos e justos.
(tentavam)

Batiam palmas, aqueles dançavam muito bem...

9.10.05

O vento e a rocha

Ele preferia o : e ela preferia o ...
O dois pontos eram possibilidades de caminhos
O reticências infinitudes de conhecidos

Ele queria o ar, o que não podia tocar e que só podia quantificar
Ela o sólido, pálpavel e que podia ver, medir e quantificar

Eram assim, o vento e a rocha.

Ele no seu caminho arrastava o que passava e guardava no seu corpo
Ela no solo que se arraigava protegia do que vinha

Se encontraram então, rocha e vento.

O vento tentou levantar a rocha
A rocha tentou proteger o vento

Estavam assim, o vento e a rocha.

5.10.05

Afetando o mundo!

Tinha pele, casca. Por dentro era de poesia que era feito. Tinha que se separar daquele mundo sem poesia, cinza, mentira.
Tocava o mundo com as mãos,
tocava o mundo com os olhos.

E mexia no mundo com a língua.

Era assim.